Quem são os ‘kids pretos’, réus no STF por plano golpista e tentativa de assassinato de autoridades
Os réus do chamado Núcleo 3, envolvidos na ação sobre a tentativa de golpe de Estado, começaram a ser julgados nesta terça-feira (11) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apelidados de “kids pretos”, o grupo é formado por dez integrantes, a maioria deles militares das forças especiais.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), eles elaboraram o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Quem são?
1. Estevam Theophilo
General da reserva. Segundo a PGR, incentivou Jair Bolsonaro a assinar o decreto golpista e se comprometeu a coordenar a ação militar caso o ato fosse formalizado. Também teria pressionado o então comandante do Exército, visto como um dos principais obstáculos à ruptura institucional.
2. Bernardo Corrêa Netto
Coronel do Exército. De acordo com a PGR, pressionou o comandante do Exército a apoiar o golpe e organizou encontros com militares das Forças Especiais. Também incentivou a divulgação de uma carta dirigida à alta cúpula militar, com o objetivo de obter adesão ao decreto de ruptura democrática.
3. Márcio Nunes de Resende Júnior
Coronel do Exército. Cedeu seu prédio para reuniões dos chamados “kids pretos” e participou da articulação para influenciar superiores hierárquicos. Segundo a PGR, aderiu ao plano golpista mesmo ciente da inexistência de fraude eleitoral.
4. Fabrício Moreira de Bastos
Coronel do Exército. Teria participado das reuniões dos “kids pretos” e colaborado na formulação das diretrizes estratégicas do golpe. É apontado como autor do documento “Ideias Força”, que propunha ações de mobilização interna, campanhas de desinformação e ampliação do apoio dentro das Forças Armadas.
5. Hélio Ferreira Lima
Tenente-coronel do Exército. Apontado como autor da “Operação Luneta”, documento que detalhava as fases do golpe, incluindo a prisão de ministros do STF, a criação de um gabinete de crise e o controle das instituições. Também participou do monitoramento do ministro Alexandre de Moraes.
6. Rafael Martins de Oliveira
Tenente-coronel do Exército. Teria sido coidealizador da operação “Copa 2022”, que previa o sequestro e o assassinato de Alexandre de Moraes. Segundo a PGR, era responsável pela gestão dos recursos financeiros destinados aos planos golpistas, parte dos quais teria sido repassada a Mauro Cid por intermédio de Walter Braga Netto.
7. Rodrigo Bezerra de Azevedo
Tenente-coronel do Exército. Também envolvido na “Operação Copa 2022”, teria participado diretamente do monitoramento de Alexandre de Moraes. Utilizou técnicas de anonimização e equipamentos clandestinos para dificultar o rastreamento da operação.
8. Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros
Tenente-coronel do Exército. Segundo a PGR, foi um dos responsáveis pela divulgação pública e digital da carta de pressão sobre o comando do Exército, atuando para enfraquecer autoridades militares contrárias ao golpe, mesmo sabendo que as alegações de fraude eleitoral eram falsas.
9. Ronald Ferreira de Araújo Júnior
Tenente-coronel. Assinou e divulgou uma carta de pressão ao comandante do Exército, mas a PGR afirma não haver provas de sua participação direta no núcleo golpista. O órgão pede sua condenação apenas por incitação à animosidade entre as Forças Armadas e outras instituições.
10. Wladimir Matos Soares
Agente da Polícia Federal. Teria repassado informações estratégicas sobre a segurança da posse presidencial ao grupo bolsonarista e auxiliado na fase de assassinato de autoridades, com o objetivo de provocar caos social e justificar medidas de exceção.

