Governo expande programa de dívidas; economista vê risco de consumo descontrolado
O governo federal iniciou nesta segunda-feira (4) uma nova fase do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas, com alterações que ampliam o alcance da iniciativa e também estabelecem regras mais rígidas para os participantes.
Em análise sobre o cenário econômico e a iniciativa, o economista e assessor de investimentos Alex Barros avaliou que o país vive um momento de consumo enfraquecido, com atividade econômica estagnada, inflação em alta e juros em queda lenta.
Segundo ele, a estratégia do governo pode ter como objetivo estimular a circulação de dinheiro na economia. “O governo quer, talvez, nessa atitude dele do Desenrola 2, criar uma política expansionista, onde o governo tende a ter mais recursos na praça. Mais recursos na praça aumentam o consumo e isso atinge diretamente o problema hoje, que é a inflação”, afirmou.
Apesar disso, Barros pondera que a medida pode não ser suficiente caso não haja avanço na educação financeira da população. Para ele, há risco de reincidência no endividamento. “Uma vez que o consumidor vai ter o nome limpo e estiver apto para consumir novamente, se ele não tiver educação financeira, vai novamente entrar nesse espiral do endividamento”, disse.
O economista também comentou a possibilidade de uso do FGTS para quitação de dívidas, destacando que a medida pode gerar preocupação. Ele classificou o fundo como uma garantia importante em caso de desemprego e avaliou que a liberação parcial pode refletir uma visão de curto prazo dos consumidores.
“Ele não entende que é preciso planejar para prever, para depois prover. Ele quer o imediatismo, o dinheiro agora na mão”, afirmou.
Barros também criticou o que considera uma medida de apelo popular. “É uma atitude política, populista, que vai atender realmente quem está na base da pirâmide”, disse.
O programa prevê descontos que variam entre 30% e 90% em dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e outras modalidades com atraso entre 90 dias e dois anos. Também há limitação de juros em até 1,99%.
Na avaliação do economista, embora haja redução relevante dos encargos, o problema do endividamento vai além das condições financeiras imediatas e exige medidas estruturais.
“Infelizmente nós estamos em um mundo político e vão usar as armas que estiverem à disposição para vencer essa grande batalha”, concluiu.

