Empresário depõe e tenta fechar delação no maior esquema do INSS
O empresário Maurício Camisotti foi ouvido pela Polícia Federal na terça-feira (24), em meio ao avanço das negociações para firmar um acordo de delação premiada no inquérito que investiga fraudes bilionárias relacionadas a descontos associativos no INSS.
As tratativas com a PF ocorrem desde o início do ano, e ele já vinha sendo procurado por investigadores desde o fim de 2025.
Na segunda-feira (23), Camisotti foi transferido da penitenciária de Guarulhos para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, a pedido da defesa. A mudança teve como objetivo dar mais agilidade às negociações, aproximando o empresário dos delegados responsáveis pelo caso.
Novos depoimentos devem ocorrer nos próximos dias, com entrega de documentos e validação de datas e operações financeiras investigadas.
Para a Polícia Federal, Camisotti figura como um dos principais beneficiários e integrante central do chamado “núcleo financeiro” do esquema que envolve descontos indevidos de aposentados e pensionistas. Ele foi preso na mesma operação que Antônio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, que segue detido.
Durante a ação, foram apreendidos mais de R$ 2 milhões em bens, incluindo obras de arte, esculturas e veículos de alto padrão.
Investigação direcionada
No mês passado, parlamentares da CPMI do INSS afirmaram que a família Camisotti teria movimentado valores superiores aos atribuídos ao “careca do INSS”, até então considerado o principal operador financeiro da fraude.
Segundo integrantes da comissão, Paulo Camisotti, filho e sócio do empresário, teria papel central na estrutura montada para operacionalizar o esquema.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), avaliou que o foco inicial em Antunes acabou desviando a atenção sobre os Camisotti, que, de acordo com ele, teriam movimentado cifras até cinco vezes maiores.
Ainda conforme o parlamentar, três entidades sob investigação repassaram, juntas, mais de R$ 800 milhões, sendo cerca de R$ 350 milhões direcionados a empresas ligadas à família.
“Essa família é três, quatro vezes, cinco vezes, melhor falando, mais forte do que o careca do INSS. Botaram o nome do careca do INSS e a gente ficou repetindo que ele era o maior operador financeiro. Mas lembrem-se desse nome: Camisotti. Nessa operação aqui, foi cinco vezes maior”, declarou Gaspar.

