Haddad descarta onda de demissões com fim da escala 6×1 e critica alarmismo
Ex-ministro da Fazenda afirma que empresas terão tempo para se adaptar à nova jornada de trabalho, aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14)

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (15/10) que não acredita em uma onda de demissões provocada pelo fim da Ex-ministro da Fazenda afirma que empresas terão tempo para se adaptar à nova jornada de trabalho, aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A declaração foi feita durante entrevista ao UOL, um dia após o Senado Federal aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê dois dias de folga por semana, sem redução salarial.
Haddad, que coordena a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, contestou as previsões de que a redução da jornada poderia provocar cortes expressivos de empregos. Segundo ele, o período de transição previsto na proposta permitirá que empresas e trabalhadores se adaptem às novas regras.
Haddad critica previsões de demissões
Durante a entrevista, o ex-ministro classificou como alarmistas as avaliações negativas sobre os possíveis efeitos da mudança na jornada de trabalho.
“Tem muito alarmismo, faz parte do jogo, o alarmismo da parte daqueles que se sentem prejudicados”, afirmou.
Haddad também associou parte da resistência à proposta à concentração de renda no Brasil e à oposição de determinados setores a medidas de redistribuição de riqueza.
“Tem um prazo de transição, como você sabe, tem adequações que vão ser feitas, e as coisas vão transcorrer normalmente”, declarou.
O ex-ministro comparou a situação com períodos anteriores de reajuste do salário mínimo, argumentando que o mercado de trabalho passou por processos de adaptação.
As declarações representam a avaliação de Haddad. Os efeitos efetivos da mudança sobre o emprego dependerão da implementação das novas regras e da adaptação dos diferentes setores econômicos.
Fim da escala 6×1 provoca debate sobre empregos
A aprovação da PEC reacendeu discussões sobre os possíveis impactos da redução da jornada de trabalho na economia brasileira.
Entre as preocupações apresentadas por representantes do setor empresarial estão o aumento dos custos operacionais, a necessidade de reorganizar escalas e os possíveis efeitos sobre as contratações.
Por outro lado, defensores da proposta argumentam que a ampliação do descanso semanal poderá melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e contribuir para uma distribuição mais equilibrada do tempo entre trabalho e atividades pessoais.
Ainda não é possível determinar os efeitos da nova jornada sobre o número de empregos, uma vez que as mudanças dependem de implementação.
Senado aprovou fim da escala 6×1 por 75 votos a 1
O Senado Federal aprovou a PEC na quarta-feira (14), em dois turnos de votação. Segundo as informações divulgadas sobre a sessão, foram 75 votos favoráveis e um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
A proposta substitui o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso por uma escala de cinco dias trabalhados e dois de folga remunerada.
O texto também estabelece a redução gradual da jornada máxima semanal, atualmente fixada em 44 horas, sem diminuição dos salários.
Quando começa a valer a nova jornada de trabalho?
De acordo com o cronograma previsto na PEC, a primeira etapa ocorrerá 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, quando a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais.
Após mais 12 meses, o limite passará para 40 horas por semana.
A aprovação no Senado não significa que as novas regras já estejam em vigor. A implementação depende da promulgação da emenda e do cumprimento dos prazos de transição.



