Eduardo Bolsonaro é demitido da Polícia Federal
De acordo com o ato, a punição ocorreu por “infração disciplinar de abandono de cargo”, caracterizada por “faltar ao serviço injustificadamente por período superior a trinta dias consecutivos”
Eduardo Bolsonaro foi desligado oficialmente da Polícia Federal nesta segunda-feira (21). A demissão do ex-deputado federal do cargo de escrivão foi formalizada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União.
De acordo com o ato, a punição ocorreu por “infração disciplinar de abandono de cargo”, caracterizada por “faltar ao serviço injustificadamente por período superior a trinta dias consecutivos”. A medida encerra um processo administrativo disciplinar instaurado pela PF para apurar a ausência do servidor.
Fora do país
Eduardo deixou o Brasil no primeiro semestre de 2025 e passou a viver nos Estados Unidos. Após a perda do mandato de deputado federal, ele deveria ter reassumido o cargo na Polícia Federal, mas não se reapresentou para o trabalho.
Segundo o UOL, o processo disciplinar foi aberto em fevereiro de 2026, depois que Eduardo não retornou às funções. A investigação foi concluída pela Polícia Federal em julho e encaminhada ao Ministério da Justiça para a formalização da demissão.
Durante o procedimento, a Corregedoria da PF no Rio de Janeiro chegou a determinar a entrega da carteira funcional e da arma de fogo do então servidor.
Eduardo havia ingressado na Polícia Federal em 2010, no cargo de escrivão. Atualmente, o subsídio da carreira varia conforme a classe, chegando a R$ 25.250 na classe especial, segundo a tabela federal com efeitos financeiros a partir de maio de 2026.
Condenação no STF
A demissão ocorre em meio a outro processo que envolve o ex-deputado. Em junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal o condenou a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo o STF, Eduardo atuou para interferir no julgamento da ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado e buscou pressionar autoridades dos Estados Unidos contra integrantes do Judiciário brasileiro. A decisão também determinou a perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal.
Em setembro, a Primeira Turma concluiu o julgamento dos recursos e manteve a condenação. O resultado foi unânime entre os integrantes do colegiado.
A atuação de Eduardo nos Estados Unidos esteve relacionada, segundo a decisão do Supremo, à tentativa de obter medidas contra autoridades brasileiras com o objetivo de interferir nos processos que envolviam seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com a publicação da portaria nesta segunda-feira, o desligamento de Eduardo dos quadros da Polícia Federal passa a estar formalizado também na esfera administrativa.
*Com informações de CNN



