Flávio Bolsonaro chama reajuste do Bolsa Família de “ilegal” e critica Lula
Candidato do PL classificou aumento anunciado pelo governo como “ato de desespero”; Planalto afirma que medida apenas recompõe a inflação acumulada desde 2023
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou nesta quinta-feira (17/9) o reajuste de 15,04% no Bolsa Família anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante ato de campanha em Vitória da Conquista, na Bahia, o senador afirmou que a medida seria “ilegal” por ter sido adotada a 17 dias do primeiro turno.
Flávio classificou a decisão como um “ato de desespero” de Lula e argumentou que o governo decidiu aumentar os valores apenas na reta final da disputa eleitoral. A afirmação de que a medida é ilegal representa a posição do candidato do PL e é contestada pelo governo.
“Ele acha que vai enganar alguém dando reajuste no Bolsa Família. Ele sabe que isso não pode”, afirmou Flávio durante o discurso.
Governo diz que reajuste repõe inflação
O reajuste foi formalizado pelo Decreto nº 13.120, de 17 de setembro de 2026, assinado por Lula. O texto estabelece a correção dos benefícios pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.
Com a mudança, o valor mínimo garantido por família passa de R$ 600 para R$ 691. O Benefício de Renda de Cidadania sobe para R$ 164 por integrante, o Benefício Primeira Infância passa para R$ 173 e o Benefício Variável Familiar vai para R$ 58.
O benefício médio, atualmente em R$ 675, deve alcançar R$ 777, segundo os cálculos apresentados pelo governo. Os efeitos financeiros começam em outubro, com os pagamentos dos novos valores previstos a partir de 19 de outubro.
Legalidade é alvo de divergência
Embora Flávio tenha afirmado que o reajuste é proibido durante o período eleitoral, o governo sustenta que a atualização está prevista na legislação do Bolsa Família e corresponde à recomposição das perdas provocadas pela inflação. O próprio decreto cita como fundamento o artigo 7º, parágrafo 3º, da Lei nº 14.601/2023.
Em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o então Auxílio Brasil também teve seu valor elevado em ano eleitoral, passando de R$ 400 para R$ 600.



