Mendonça manda retirar deepfake que associa Flávio Bolsonaro a Vorcaro e “rachadinha”
Ministro do TSE considerou, em análise preliminar, que vídeo produzido com inteligência artificial tem aparência realista capaz de provocar falsa percepção de autenticidade
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta terça-feira (25) a retirada de um vídeo produzido com inteligência artificial que associa o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao empresário Daniel Vorcaro e ao suposto recebimento de recursos de “rachadinha”.
Segundo informações do Metrópoles, Mendonça entendeu, em análise preliminar, que o conteúdo apresenta características de deepfake, prática proibida pelas regras eleitorais.
Vídeo simula situações que não aconteceram
O material utiliza imagens produzidas artificialmente para representar Flávio Bolsonaro em situações inexistentes, com aparência realista.
O vídeo também apresenta uma música gerada com inteligência artificial como se fosse interpretada por Vorcaro. A composição faz referência a “rachadinha” e a dinheiro supostamente recebido pelo candidato.
A faixa é uma paródia de “P do Pecado”, música do grupo Menos É Mais com Simone Mendes.
Ao analisar o caso, Mendonça considerou que as imagens fabricadas apresentam grau de realismo e verossimilhança capaz de fazer o público acreditar que se trata de registros autênticos.
Perfil fica impedido de republicar conteúdo
A decisão determina que o perfil @forabolsonaronacional não volte a publicar o vídeo analisado.
O ministro também determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, forneça informações destinadas à identificação do responsável pela conta.
Mendonça destacou que a decisão, neste momento, está restrita especificamente ao conteúdo audiovisual sintético e à utilização de inteligência artificial sem a identificação exigida pelas normas eleitorais.
“A presente decisão limita-se à retirada e à não reiteração do conteúdo audiovisual sintético especificamente examinado”, escreveu o ministro.
Conteúdo das acusações ainda será analisado
A decisão não representa, por enquanto, uma conclusão do TSE sobre a veracidade ou a qualificação jurídica das acusações feitas no vídeo.
Segundo Mendonça, essa análise será realizada posteriormente, após o contraditório. Entre os pontos que ainda poderão ser avaliados estão uma eventual propaganda eleitoral antecipada negativa, possível ofensa à honra e a divulgação de fato sabidamente inverídico.
“Fica expressamente reservada para momento posterior, após o contraditório, a análise da natureza e da qualificação jurídica das afirmações e associações constantes do vídeo”, afirmou o ministro.



