Fim da “taxa das blusinhas” pode ameaçar 109 mil empregos, estima CNI
Entidade calcula que retirada do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 pode reduzir a produção brasileira em R$ 21,8 bilhões em 2026

O fim do Imposto de Importação cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 pode colocar em risco cerca de 109 mil empregos no Brasil e provocar uma perda de R$ 21,8 bilhões na produção doméstica em 2026. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), conforme nota técnica divulgada nesta quarta-feira (26).
A análise considera os possíveis efeitos da retirada da chamada “taxa das blusinhas” sobre as encomendas que chegam ao país pelo Programa Remessa Conforme. Para a CNI, a desoneração aumenta a vantagem competitiva dos produtos importados de baixo valor diante dos fabricados no Brasil.
Compras internacionais podem disparar
Nas projeções apresentadas pela entidade, o Brasil pode receber 249,5 milhões de encomendas internacionais de pequeno valor em 2026 caso a cobrança seja eliminada. O número representaria crescimento de 56,3% em relação a 2025.
Se o imposto continuar sendo cobrado, a estimativa cai para 194,9 milhões de remessas. Na comparação entre os dois cenários, a retirada da tributação elevaria em cerca de 28% o número de encomendas.
A diferença também aparece no valor movimentado.
Sem o imposto, as importações realizadas pelo Remessa Conforme podem chegar a R$ 23,6 bilhões neste ano, segundo a CNI. Com a tributação, a projeção é de R$ 16,6 bilhões. Isso significa que a desoneração poderia ampliar em 42,3% o valor dessas compras.
Indústria pode ser uma das mais afetadas
A CNI estima que o aumento das compras internacionais não teria impacto apenas no varejo. Para cada R$ 1 destinado a produtos importados por esse modelo, R$ 3,11 deixariam de ser gerados ao longo das cadeias produtivas brasileiras.
A indústria de transformação concentraria aproximadamente dois terços das perdas projetadas. Entre os produtos que enfrentam concorrência direta das plataformas internacionais estão roupas, eletrônicos e outros bens de consumo.
A entidade defende que a cobrança reduz a diferença tributária entre produtos fabricados no país e mercadorias estrangeiras de pequeno valor.
Em levantamento divulgado em abril, a própria CNI havia calculado que a aplicação da tarifa contribuiu para preservar 135,8 mil empregos e R$ 19,7 bilhões na economia brasileira em 2025. A estimativa faz parte de estudo da entidade e não representa uma contagem direta de postos de trabalho.
O que pode acontecer com a “taxa das blusinhas”?
A retirada da cobrança está prevista na Medida Provisória nº 1.357/2026, que ainda depende da tramitação no Congresso Nacional. Portanto, o fim do imposto ainda passa pelo processo legislativo.
Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, para discutir a tramitação da medida.
Segundo o relato publicado após o encontro, a intenção é priorizar a análise da MP durante o próximo esforço concentrado do Congresso, entre o fim de agosto e o início de setembro. A proposta precisa ser analisada antes de perder a validade.



