Gilmar Mendes diz que impeachment de ministros do STF terá “imensas dificuldades” no Senado
Decano do Supremo afirma que pauta ganhou espaço na campanha eleitoral de 2026, mas considera difícil que senadores consigam colocar a proposta em prática
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (19) que candidatos ao Senado eleitos com a bandeira do impeachment de ministros da Corte devem encontrar grandes dificuldades para levar a proposta adiante.
A declaração foi dada a jornalistas após um evento em Brasília e ocorre em meio ao crescimento do tema na campanha das Eleições 2026, especialmente entre candidaturas de direita ao Senado. A fala foi reportada nesta quarta-feira por diferentes veículos.
Gilmar Mendes vê dificuldade para impeachment avançar
Questionado sobre candidatos que defendem a destituição de integrantes do Supremo, Gilmar minimizou a possibilidade de a estratégia eleitoral resultar efetivamente no afastamento de ministros.
“Se alguém com essa bandeira se tornar senador, terá imensas dificuldades de implementá-la”, afirmou o ministro.
Na avaliação de Gilmar, existe uma distância entre defender o impeachment durante uma campanha e conseguir reunir as condições institucionais necessárias para concretizá-lo no Senado.
O ministro evitou fazer projeções sobre cenários eleitorais específicos e afirmou que não pretende trabalhar com essas hipóteses neste momento.
Impeachment de ministros entra na campanha de 2026
A discussão ganhou força entre setores da direita durante a disputa eleitoral. Candidatos têm defendido a eleição de uma bancada no Senado capaz de dar andamento a pedidos contra integrantes do Supremo.
O tema aparece, por exemplo, na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e também em manifestações políticas de Romeu Zema, candidato à Presidência.
O ministro Alexandre de Moraes está entre os principais alvos das críticas e dos pedidos defendidos por integrantes da oposição.
Por que o Senado é importante para um impeachment
A Constituição atribui ao Senado Federal a competência para processar e julgar ministros do Supremo nos crimes de responsabilidade.
Em 2026, a composição da Casa ganha importância adicional porque os brasileiros escolherão 54 dos 81 senadores — dois terços das cadeiras — nas eleições de outubro.
Para uma eventual condenação em processo de impeachment, são necessários votos de dois terços dos integrantes do Senado, ou 54 senadores.
Por isso, a disputa pelas vagas da Casa passou a ocupar espaço relevante no debate sobre a relação entre Congresso e Supremo.
Debate sobre STF cresce durante período eleitoral
As declarações de Gilmar Mendes ocorrem um dia depois de o presidente do STF, Edson Fachin, também abordar as críticas ao Judiciário durante a campanha.
Na terça-feira (18), Fachin afirmou que críticas às instituições são legítimas, mas se posicionou contra o uso de ataques ao Judiciário como instrumento de disputa política.
No Senado, por outro lado, parlamentares críticos ao Supremo defendem que a Casa exerça suas prerrogativas constitucionais e analise pedidos de impeachment apresentados contra integrantes da Corte. Registros oficiais mostram que o assunto já vinha sendo levado ao plenário antes do início formal da campanha.
Com 54 vagas em disputa nas Eleições 2026, a futura composição do Senado deverá continuar no centro dessa discussão. A declaração de Gilmar Mendes acrescenta agora a perspectiva do decano do STF: mesmo que candidatos favoráveis ao impeachment sejam eleitos, ele considera que transformar a bandeira de campanha em afastamento efetivo de um ministro enfrentará fortes obstáculos institucionais.



