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O que aconteceu com a vacina da dengue do Butantan? Governo suspende aplicação e investiga mortes

Foram identificados 42 casos considerados raros com sinais de alerta, incluindo dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de 42 eventos adversos graves entre cerca de 500 mil pessoas imunizadas. A medida foi adotada de forma preventiva enquanto as autoridades aprofundam as investigações sobre os casos.

Segundo a pasta, entre os episódios analisados estão dois óbitos e um caso que exigiu internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os três pacientes eram profissionais da Atenção Primária à Saúde, grupo que recebeu a maior parte das doses aplicadas no país até o momento.

Apesar da decisão, o governo federal reforça que ainda não existem evidências científicas suficientes para confirmar uma relação direta entre a vacina e os casos graves registrados. A suspensão foi recomendada após avaliação conjunta do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de especialistas em farmacovigilância.

O que motivou a suspensão?

De acordo com o Ministério da Saúde, foram identificados 42 casos considerados raros com sinais de alerta, incluindo dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Essas reações não haviam sido observadas durante os estudos clínicos que antecederam a aprovação do imunizante.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a interrupção temporária segue o princípio da precaução.

“Na área da saúde, a precaução é a melhor medida no sentido de reforçar as ações de proteção”, declarou o ministro ao anunciar a decisão.

Quem são os pacientes investigados?

Segundo informações divulgadas pelo governo, um dos casos envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou sintomas compatíveis com dengue grave poucos dias após a vacinação. Ela precisou ser internada, mas se recuperou.

Os outros dois casos resultaram em mortes: uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos. Ambos desenvolveram quadros graves após receberem o imunizante. As investigações seguem em andamento para determinar se existe relação causal entre a vacina e os desfechos registrados.

Quem já tomou a vacina deve se preocupar?

O Ministério da Saúde afirma que não. A pasta destaca que a suspensão não significa que a vacina tenha sido considerada insegura ou ineficaz. A orientação é que pessoas vacinadas observem possíveis sintomas durante os 21 dias após a aplicação e procurem atendimento médico caso apresentem sinais de alerta.

Em nota, o Instituto Butantan informou que seguirá colaborando com as autoridades sanitárias e ressaltou que o imunizante demonstrou eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra casos graves da doença nos estudos realizados.

Investigação continua

As análises serão conduzidas pelo Ministério da Saúde, Anvisa, Instituto Butantan e especialistas independentes. O objetivo é verificar fatores de risco comuns entre os pacientes, histórico clínico, condições de armazenamento das doses e possíveis explicações para os eventos registrados.

Enquanto isso, a vacinação com a Butantan-DV permanece suspensa em todo o país até a conclusão das investigações.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Editora do Portal Infonews, atua na cobertura de política, economia, saúde e cidades.

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