Brasil

Brasil alcança nível ‘muito alto’ de desenvolvimento humano

O Brasil alcançou, pela primeira vez, o grupo de países com nível muito alto de desenvolvimento humano. Apesar do avanço histórico, o país ainda convive com profundas desigualdades sociais e raciais. Os dados fazem parte do relatório divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O que é o IDHM e como ele funciona?

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é um indicador utilizado para avaliar a qualidade de vida da população nos municípios brasileiros. O cálculo considera três dimensões principais: educação, renda e longevidade.

A pontuação varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano da localidade analisada.

O índice é dividido em cinco categorias:

  • de 0,000 a 0,499: muito baixo;
  • de 0,500 a 0,599: baixo;
  • de 0,600 a 0,699: médio;
  • de 0,700 a 0,799: alto;
  • de 0,800 a 1,000: muito alto.

O estudo “Radar IDHM: Evolução do IDHM e de seus componentes – Período de 2012 a 2024” foi elaborado em parceria entre o PNUD, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação João Pinheiro, trazendo uma análise da evolução do país nos últimos 13 anos.

Segundo o levantamento, o Brasil saiu de um IDHM de 0,744 em 2012 para 0,805 em 2024, um crescimento de 0,061 ponto no período. Com o resultado, o país passou a integrar o grupo de nações classificadas com desenvolvimento humano muito alto, ao lado de países como Noruega, Suíça, Alemanha e Estados Unidos.

O avanço ocorreu de forma praticamente contínua ao longo da série histórica, com exceção dos anos de 2020 e 2021, quando os impactos da pandemia da Covid-19 provocaram retração nos indicadores.

Desigualdade ainda marca o cenário brasileiro

Mesmo com a melhora geral, o relatório mostra que o desenvolvimento humano no Brasil ainda é atravessado por desigualdades significativas. Quando o índice é ajustado para considerar as diferenças sociais, no chamado IDHM ajustado à Desigualdade (IDHMAD), o país cai para 0,641, retornando à faixa de médio desenvolvimento humano.

As diferenças também aparecem no recorte por gênero. Em 2024, os homens registraram IDHM de 0,802, entrando no grupo de muito alto desenvolvimento humano. Já entre as mulheres, o índice ficou em 0,798, mantendo-se na categoria de alto desenvolvimento.

O levantamento evidencia ainda o contraste racial no país. A população branca alcançou IDHM de 0,851, considerado muito alto, enquanto a população negra registrou 0,774, índice classificado como alto.

“A marcante desigualdade racial no Brasil é evidenciada pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e a população branca”, aponta o relatório. “A primeira está sempre uma faixa abaixo de desenvolvimento humano em relação à segunda”.

Diferenças entre regiões

O Distrito Federal (DF) segue liderando o ranking nacional de desenvolvimento humano, com indicadores superiores aos registrados em grande parte do país.

A expectativa de vida no DF, por exemplo, chegou a 79,75 anos. No Amapá, que aparece entre os estados com os menores índices do país, a média é de 74,32 anos.

Na educação, 83,38% da população com mais de 18 anos no Distrito Federal possui ensino fundamental completo. Já na Paraíba, um dos estados com menor IDHM, esse percentual é de 59,14%.

A renda domiciliar per capita também revela um cenário de forte desigualdade regional. Enquanto no Distrito Federal a média mensal atingiu R$ 1.465,10 em 2024, no Maranhão, estado com o menor IDHM do Brasil, o valor ficou em R$ 482,46.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Editora do Portal Infonews, atua na cobertura de política, economia, saúde e cidades.

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