Tilápia e eucalipto em lista de espécies invasoras provocam polêmica e reação no Congresso
Uma proposta da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, tem gerado polêmica no setor do agronegócio. O órgão sugeriu incluir na lista nacional de espécies exóticas invasoras algumas de grande relevância econômica para o Brasil.
Essas espécies, introduzidas fora de suas áreas de origem, podem se estabelecer e se espalhar, trazendo impactos negativos à biodiversidade.
Entre os nomes indicados pela Conabio estão a tilápia, o camarão-vannamei, o pínus, o eucalipto e a goiabeira, todos amplamente cultivados no país. A proposta acendeu o alerta entre produtores e representantes do setor.
O texto passou por consulta pública e deve ser analisado no dia 8 de dezembro, durante reunião do colegiado.
Manifestações parlamentares
Para o senador Plínio Valério (PSDB-AM) é importante que o parlamento e o setor estejam atentos para o perigo diante da possibilidade de inclusão da tilápia e outras espécies na lista de invasoras.
“No fundo tem uma coisa muito perigosa. Se a gente permitir que se considere a tilápia uma espécie invasora, daqui a pouco nós termos que fazer com diversas outras coisas, inclusive com o futebol, que veio da Inglaterra, então a gente não pode brincar. A tilápia é responsável pela produção de 80% do pescado do Brasil. São bilhões de reais e milhares de empregos”, explicou.
No último dia 22 de outubro, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), também se pronunciou contra a medida, durante uma sessão na Comissão de Agropecuária da Câmara dos Deputados. “É uma piada pronta”, afirmou.
Na semana passada, a Comissão de Agricultura do Senado aprovou a convocação da ministra Marina Silva para prestar esclarecimentos sobre o tema em uma audiência pública.
A proposta foi uma iniciativa dos senadores Zequinha Marinho e Jorge Seif. Para os parlamentares, faltam metodologias sólidas para definir os nomes a serem incluídos na lista e não há apoio dos setores envolvidos.

