PT avalia usar reforma do Judiciário como bandeira eleitoral de Lula
O Partido dos Trabalhadores (PT) ampliou, nos últimos dias, o debate interno sobre a possibilidade do presidente Lula adotar, em uma eventual campanha à reeleição, a pauta de mudanças no Judiciário.
A discussão tem sido liderada pelo presidente da sigla, Edinho Silva, e já aparece em resoluções recentes do partido. Uma ala defende que o governo apresente uma proposta concreta, como uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), para integrar o discurso eleitoral.
O tema voltou a ser tratado nesta semana em reunião com as bancadas no Congresso. Segundo relatos de parlamentares, Edinho destacou a necessidade de aprofundar o debate antes de qualquer iniciativa formal.
Dentro do partido, cresce a avaliação de que a crise no Judiciário, especialmente após a menção a ministros do Supremo Tribunal Federal no caso Master, tem aumentado a desconfiança nas instituições e no sistema político, favorecendo um ambiente antissistema que pode afetar o governo.
Também há o entendimento de que a relação próxima entre o Palácio do Planalto e o STF faz com que eventuais desgastes na imagem da Corte acabem repercutindo no Executivo.
A proposta começa a ganhar respaldo no Congresso. No Senado, o líder do PT, Rogério Carvalho, apresentou um requerimento para a criação de uma comissão temporária com prazo de 90 dias para discutir melhorias no Judiciário, movimento visto como um passo inicial para levar o tema ao debate eleitoral.
O texto prevê três eixos principais: estabelecer critérios éticos mais rígidos para ministros de tribunais superiores; reforçar os mecanismos disciplinares da magistratura e do Conselho Nacional de Justiça; e reduzir custos do sistema, com respeito ao teto constitucional e revisão de benefícios.
Na Câmara, o deputado Rui Falcão apoia a proposta, desde que ela faça parte de uma reforma mais ampla do sistema político. Para ele, isso permitiria abordar a crise do STF sob uma perspectiva diferente da adotada por setores da oposição.
Apesar do avanço das discussões, o tema ainda divide opiniões dentro do partido e do governo. Interlocutores do presidente indicam que Lula não pretende apoiar mudanças que interfiram diretamente em outros Poderes.
Além disso, há receio de que a pauta gere ruído entre eleitores, já que o PT tem adotado, nos últimos anos, uma postura de defesa do STF, sobretudo diante dos embates com o bolsonarismo.
*Com informações de CNN

