Dino pressiona Congresso e governo por esclarecimentos sobre emendas irregulares
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (2) que a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o governo federal se manifestem em até cinco dias. Eles devem comentar sobre possíveis irregularidades em emendas parlamentares destinadas ao Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca).
Segundo Dino, relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam indícios de superfaturamento. Há também execução parcial ou inexistente de obras, uso de documentos falsos, medições duplicadas, má qualidade nos serviços e falhas graves de fiscalização. O ministro é relator das ações que questionam a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares.
Entre 2021 e 2023, o Dnocs teria firmado contratos com serviços fora de sua competência. Isso inclui pavimentação de vias e compra de retroescavadeiras, motoniveladoras e outros equipamentos agrícolas destinados a municípios.
Dino destacou que o conjunto de problemas “parece indicar o desvirtuamento da atuação do Dnocs”. Isso compromete princípios de legalidade, eficiência e integridade do gasto público. Ele acrescentou que, embora o órgão desempenhe papel central no combate à insegurança hídrica, é inadmissível que sua atuação exponha o patrimônio público a perdas expressivas e continuadas.
De acordo com a decisão, 60% dos contratos do Dnocs no período não estavam alinhados às funções do órgão. Isso totaliza R$ 1,1 bilhão em contratos considerados irregulares.
Na última sexta-feira (28), a Polícia Federal (PF) e a CGU deflagraram uma operação conjunta para investigar as supostas irregularidades. Eles cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em Fortaleza (CE) e Natal (RN).
Entre as medidas adotadas estão:
- Bloqueio judicial de bens e valores;
- Indisponibilidade de imóveis e veículos;
- Busca pessoal e veicular;
- Quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático.

