Banco Master. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
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Abordagens a influenciadores levantam suspeitas sobre campanha contra liquidação do Banco Master

Influenciadores alinhados à direita afirmam que, no fim de 2025, foram abordados por representantes de agências de marketing digital. As propostas eram para publicar conteúdos que colocassem em dúvida a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central.

As acusações foram feitas pelo vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL), que soma cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram. Também pela jornalista Juliana Moreira Leite, que reúne aproximadamente 1,4 milhão de seguidores na mesma rede.

Rony contou que, em 20 de dezembro, foi procurado por um representante da agência UNLTD Brasil. Ele ofereceu serviços de “gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo”.

De acordo com o influenciador, a proposta tinha como objetivo construir uma narrativa de que o Banco Master teria sido vítima do Banco Central. A liquidação teria ocorrido de maneira precipitada.

O representante teria mencionado ainda a exigência de assinatura de um contrato de confidencialidade. Havia previsão de multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Rony disse que a proposta envolvia valores milionários. Contudo, ele afirmou não ter avançado em nenhuma negociação.

A jornalista Juliana Moreira Leite também relatou ter sido abordada de forma semelhante pela agência Portal Group BR. Segundo ela, a empresa apresentou um suposto cliente interessado na divulgação de conteúdos “no âmbito político e financeiro”.

Juliana afirmou ter se sentido “enojada” com a proposta e recusou a oferta. Apesar disso, disse ter observado o surgimento posterior de publicações nas redes sociais com esse mesmo viés.

Procuradas, as agências UNLTD Brasil e Portal Group BR negaram qualquer contrato direto com o Banco Master. Elas negaram também qualquer acordo com influenciadores para tratar da liquidação da instituição.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que, no fim de dezembro, identificou um volume fora do padrão de menções à entidade. Isso estava relacionado às notícias sobre a liquidação. A federação destacou, contudo, que não realiza o monitoramento de publicações envolvendo outras instituições, como o Banco Central.

CPMI

O episódio teve repercussão no cenário político. O vice-líder da oposição, deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), afirmou que as denúncias reforçam a necessidade de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

“Essas denúncias representam um elemento novo e relevante para avançarmos nas investigações e evitar que o tema seja deixado de lado”, declarou Jordy. Ele também sugeriu a possibilidade de convocação dos influenciadores para prestar depoimento.

De acordo com o parlamentar, há indícios de que uma força-tarefa ligada ao grupo do empresário Daniel Vorcaro teria atuado para influenciar decisões do Tribunal de Contas da União (TCU). Também teria tentado reverter a liquidação do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

*Com informações de CNN

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Atuou em TV e em assessoria de imprensa, mas tem carinho especial por redação.

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