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PT se divide sobre maioridade penal e abre nova frente de confronto com o PL

Iniciativa parte do líder do partido no Senado, Camilo Santana (CE), que começou a recolher assinaturas para apresentar uma emenda que prevê a redução da idade penal de 18 para 16 anos em determinadas situações

Uma divergência interna no PT colocou a redução da maioridade penal no centro de uma nova disputa política no Congresso. O líder do partido no Senado, Camilo Santana (CE), começou a recolher assinaturas para apresentar uma emenda que prevê a redução da idade penal de 18 para 16 anos em determinadas situações. A iniciativa ocorre em meio à movimentação do PL para incluir a medida na agenda da segurança pública e pressionar o governo Lula.

A proposta de Camilo, no entanto, não representa uma posição consensual dentro do partido. Segundo o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, a bancada petista no Senado é contrária à iniciativa do líder. Em declaração à CNN Brasil, ele confirmou a articulação, mas ressaltou a resistência interna: “O Camilo apresentou uma emenda nesse sentido. (Mas) a bancada do PT está contra essa emenda do Camilo”.

Camilo tenta abrir caminho para proposta alternativa

A iniciativa do senador petista surge como uma alternativa à emenda apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê reduzir a maioridade penal para 16 anos como regra geral e permitir a responsabilização a partir dos 14 anos em determinados crimes, como os hediondos.

A movimentação também tem uma dimensão política. Com o tema ganhando espaço no debate eleitoral, setores do PT avaliam que o partido pode ser pressionado a explicar sua posição sobre segurança pública caso a oposição transforme a redução da maioridade penal em uma de suas principais bandeiras.

Nesse cenário, a proposta articulada por Camilo busca introduzir uma alternativa dentro do próprio campo governista. A ideia, porém, enfrenta resistência entre petistas que defendem a manutenção da posição histórica da sigla contra a redução da idade penal.

Por que o PT resiste à redução

A posição tradicional do partido se apoia no entendimento de que reduzir a idade penal não resolve, por si só, os problemas relacionados à criminalidade juvenil. O PT também argumenta que a Constituição Federal estabelece proteção especial a crianças e adolescentes e fixa em 18 anos a idade a partir da qual uma pessoa pode responder penalmente como adulta.

Em manifestação anterior, a bancada do partido na Câmara defendeu que os artigos 227 e 228 da Constituição sustentam a proteção integral de crianças e adolescentes e a inimputabilidade penal antes dos 18 anos. O grupo também argumentou que a garantia está vinculada aos direitos fundamentais e não poderia ser eliminada por uma emenda constitucional.

A posição reflete uma divergência de abordagem sobre segurança pública: enquanto defensores da redução sustentam que a mudança pode ampliar a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves, críticos afirmam que a medida não enfrenta as causas da violência e pode comprometer direitos previstos na Constituição.

Disputa política em torno da segurança pública

O debate ganhou força em meio à disputa entre governo e oposição no Congresso. Após a aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado, parlamentares do PL passaram a impulsionar a redução da maioridade penal como uma forma de confrontar politicamente o campo governista.

A movimentação coloca o PT diante de um impasse: manter a posição histórica da sigla ou discutir uma alternativa que responda à pressão política em torno da segurança pública. Até o momento, a iniciativa de Camilo Santana enfrenta resistência dentro da própria bancada, sem representar uma mudança formal na posição do partido.

*Com informações de CNN

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Editora do Portal Infonews, atua na cobertura de política, economia, saúde e cidades.

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