Sedentarismo infantil exige atenção e brincar ajuda no desenvolvimento
Na semana do Dia das Crianças, especialista explica como brincadeiras, atividades físicas e esportes contribuem para a saúde e o desenvolvimento infantil

Correr, pular, dançar, nadar, andar de bicicleta, jogar bola e brincar no parquinho são atividades que ajudam no desenvolvimento infantil. Mais do que gastar energia, movimentar o corpo pode beneficiar aspectos físicos, motores, cognitivos, emocionais e sociais.
Na semana do Dia das Crianças, o alerta para os riscos do sedentarismo infantil ganha ainda mais importância. A prática de atividade física deve começar nos primeiros anos de vida e pode ocorrer por meio de brincadeiras, esportes e outras experiências adequadas à idade.
Atividade física não precisa ser um exercício programado
Para as crianças, a atividade física não deve ser entendida apenas como um exercício estruturado ou como uma preparação para formar atletas. As brincadeiras livres também oferecem oportunidades de aprendizado e desenvolvimento.
“O esporte é uma ferramenta maravilhosa, mas as brincadeiras livres e lúdicas também têm um papel fundamental. Elas permitem que a criança desenvolva coordenação motora, equilíbrio, agilidade, força, percepção espacial e consciência corporal enquanto se diverte e explora diferentes possibilidades de movimento”, explica o profissional de Educação Física Luiz Fernando Lukas.
Brincar de pega-pega, subir e descer estruturas apropriadas, explorar a natureza, praticar capoeira ou participar de jogos coletivos são exemplos de movimentos que podem fazer parte da rotina.
Movimento traz benefícios físicos e emocionais
Segundo Luiz Fernando, a atividade física contribui para o desenvolvimento de força, resistência, equilíbrio e coordenação. A prática regular também favorece a saúde óssea e muscular e melhora a aptidão cardiorrespiratória.
Os benefícios podem ir além da parte física. Atividades coletivas e brincadeiras ajudam a trabalhar autonomia, confiança, socialização, respeito às regras, cooperação e tolerância à frustração.
“Também pode contribuir para a autonomia e a confiança, para a capacidade de trabalhar em equipe, para o respeito às regras, para a tolerância à frustração, para a socialização e para a percepção e o conhecimento do próprio corpo, entre tantas outras habilidades”, afirma o especialista.
Experiências variadas também podem ajudar a criança a construir uma relação positiva com o movimento, aumentando as chances de manter uma vida fisicamente ativa na adolescência e na fase adulta.
Quanto tempo de atividade física é recomendado?
A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos realizem, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa ao longo da semana.
A maior parte desse tempo deve ser dedicada a atividades aeróbicas. Exercícios mais intensos e movimentos que fortaleçam músculos e ossos devem fazer parte da rotina pelo menos três vezes por semana.
Isso não significa que os 60 minutos precisam ocorrer de uma só vez ou somente durante uma aula. Caminhar, pedalar, brincar, correr, dançar e praticar esportes também contam como movimento.
Para crianças menores de 5 anos, o tempo e o tipo de atividade recomendados variam conforme a idade e a fase do desenvolvimento. Nessa etapa, brincadeiras no chão e atividades distribuídas ao longo do dia são especialmente importantes.
Cobrança excessiva pode afastar a criança
Pós-graduado em Musculação e Treinamento de Força, Luiz Fernando destaca que a relação da criança com a atividade física deve ser prazerosa. A prática não precisa estar baseada em cobranças constantes por desempenho, competição ou resultados.
“A criança precisa descobrir que se movimentar pode ser divertido. O grande objetivo, especialmente na infância, é oferecer experiências corporais diversificadas, para que ela descubra diferentes formas de se movimentar e encontre atividades com as quais se identifique”, pontua.
Cada criança pode apresentar preferências e habilidades diferentes. Enquanto algumas se identificam com esportes coletivos, outras podem preferir natação, dança, lutas, ginástica, bicicleta ou brincadeiras ao ar livre.
Pais e responsáveis também têm papel importante
Os adultos podem incentivar uma rotina mais ativa oferecendo oportunidades e apresentando diferentes formas de movimento. O exemplo dentro de casa também influencia a maneira como a criança se relaciona com a atividade física.
Passeios em parques, brincadeiras em família e deslocamentos a pé ou de bicicleta, quando realizados com segurança, podem ajudar a incluir o movimento no cotidiano.
Mais do que escolher uma modalidade específica, o objetivo é permitir que a criança se movimente com regularidade, segurança e prazer. Caso exista alguma condição de saúde ou limitação física, a família deve procurar orientação profissional para adaptar as atividades.



