Nunes Marques deixa revisão de Bolsonaro para depois do segundo turno
Para o ministro, uma eventual análise do caso durante a disputa eleitoral poderia produzir efeitos sobre o processo político
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), não deverá tomar uma decisão sobre a revisão criminal apresentada pela defesa de Jair Bolsonaro antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A posição foi informada pela assessoria do ministro nesta quarta-feira (7). Segundo a avaliação de Nunes Marques, uma eventual análise do caso durante a disputa eleitoral poderia produzir efeitos sobre o processo político.
Além da questão eleitoral, há um motivo processual para a espera. A ação ainda depende de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, portanto, não está em condições de ser levada a julgamento.
Decisão não deve ocorrer imediatamente após a eleição
A indicação de Nunes Marques não significa que o caso será decidido logo após o segundo turno. O ministro considera necessário aguardar a conclusão das etapas que ainda estão pendentes antes de analisar a revisão.
Quando estiver pronto para julgamento, o processo deverá seguir para o plenário do STF, e não para a Segunda Turma. A definição da data ficará a cargo do presidente da Corte, Edson Fachin.
Na prática, os 11 ministros do Supremo deverão participar da análise quando o caso chegar ao plenário.
Bolsonaro tenta reverter condenação
A defesa do ex-presidente apresentou uma revisão criminal para contestar a condenação imposta pelo STF no processo sobre a tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados aos acontecimentos após as eleições de 2022.
Os advogados também solicitaram uma liminar para buscar a liberdade de Bolsonaro antes da conclusão da análise do caso.
O pedido está sob relatoria de Nunes Marques. Uma solicitação semelhante já havia sido apresentada anteriormente e permanecia no gabinete do ministro.
Julgamento anterior não teve participação de Nunes Marques
A condenação de Bolsonaro foi definida pela Primeira Turma do Supremo, que contou com os votos de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino pela condenação. Luiz Fux foi o único integrante da turma a votar pela absolvição.
Nunes Marques não participou daquele julgamento, assim como André Mendonça, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Dias Toffoli.
Caso a revisão seja levada ao plenário, os ministros que não participaram da primeira análise poderão se manifestar sobre o processo.
Liminar ainda é possibilidade
Apesar da decisão de não analisar a revisão criminal antes do segundo turno, permanece uma questão diferente: a possibilidade de Nunes Marques apreciar um pedido liminar relacionado à liberdade de Bolsonaro.
Essa hipótese foi mencionada em informações divulgadas anteriormente sobre o caso, mas não há decisão anunciada nesse sentido.
Por enquanto, a posição oficial é de aguardar o avanço do processo. O próximo passo é a manifestação da PGR. Somente depois de concluída essa etapa o caso poderá ficar apto para uma eventual análise do plenário do STF.
*Com informações de CNN



