O presidente Lula (PT) deve adotar um tom mais firme sobre o respeito às leis durante a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Segundo integrantes do núcleo petista, a campanha pretende reforçar a mensagem de que “ninguém está acima da lei” em meio às novas revelações envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o caso Banco Master.
Embora Lula ainda não tenha se manifestado publicamente sobre o episódio, o comando da campanha avalia que as informações envolvendo Moraes podem ter impacto no cenário eleitoral. A preocupação é que o caso seja explorado pela direita para ampliar críticas ao STF e fortalecer candidatos adversários.
Diante desse cenário, o PT passou a calibrar o discurso sobre o Judiciário. Na quarta-feira (2), o presidente nacional do partido e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, publicou um vídeo defendendo mudanças na estrutura do Poder Judiciário.
Entre as propostas apresentadas por Edinho estão a criação de um código de ética para o Judiciário, o combate aos supersalários e ao que chamou de “promiscuidade” entre interesses públicos e privados. Ele também defendeu o fim da “farra das emendas parlamentares”.
“Ninguém está acima da lei: um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do Poder Judiciário”, afirmou.
PT fala em mudanças no sistema
Edinho Silva afirmou ainda que a campanha de Lula pretende defender mudanças nos sistemas político e judicial brasileiros. Na avaliação do dirigente, o modelo atual acaba favorecendo pessoas com maior poder e contribui para a manutenção de privilégios e casos de corrupção.
“É preciso acabar com a farra das emendas parlamentares”, disse o presidente do PT.
O discurso também tem sido utilizado por aliados de Lula para responder às críticas relacionadas a outros episódios envolvendo o governo e integrantes ligados ao presidente. A estratégia é destacar que, durante a atual gestão, as instituições de investigação têm autonomia para apurar denúncias, independentemente de quem esteja envolvido.
A frase “ninguém está acima da lei” deve, portanto, ganhar espaço na comunicação eleitoral do presidente em um momento de crescente pressão política em torno das novas informações relacionadas ao STF e ao Banco Master.



