Cidades

“Não podemos normalizar”: Kiko Caputo expõe o drama da saúde no DF

Candidato ao GDF itou o caso de uma paciente de Santa Maria que, segundo relato recebido por ele, permaneceu 36 dias internada à espera de uma cirurgia para retirada da vesícula

A situação da saúde pública no Distrito Federal foi um dos principais pontos abordados por Kiko Caputo, candidato ao Governo do DF pelo Novo, durante entrevista ao ProameCast nesta quarta-feira (26). Ao falar sobre os problemas enfrentados pela população, ele defendeu uma mudança na gestão do sistema e afirmou que não basta apenas construir novos hospitais.

Kiko citou o caso de uma paciente de Santa Maria que, segundo relato recebido por ele, permaneceu 36 dias internada à espera de uma cirurgia para retirada da vesícula.

“Ela ficou 36 dias internada até conseguir fazer a cirurgia”, relatou.

Segundo o candidato, uma cirurgia desse tipo normalmente exigiria um período de internação muito menor. Ele argumentou que a demora prolongada acaba mantendo leitos ocupados por mais tempo e impede que outras pessoas sejam atendidas.

“Esse leito deveria estar ocupado no máximo 2, 3 dias se tivesse alguma complicação”, afirmou.

Para Kiko, o episódio demonstra como a falta de eficiência na administração da saúde pode gerar consequências que vão além do atendimento médico. Ele destacou os impactos sobre o trabalho, a família e a rotina do paciente.

“Essa moça ficou 36 dias sem trabalhar. Imagina o patrão dela. Imagina a família dela tendo que se desdobrar de cuidar da casa, do emprego, das crianças. Ainda ter que cuidar dela no hospital”, disse.

“Não é construir um hospital”

Durante a entrevista, Kiko afirmou que a expansão da estrutura física será necessária diante do crescimento da população e da idade de parte dos hospitais do DF. No entanto, segundo ele, a prioridade deve ser aumentar a eficiência do sistema.

“Não é construir um hospital. A gente vai construir alguns, porque precisa. A população cresceu muito. Nossos hospitais são antigos”, declarou.

Ele citou hospitais de Ceilândia e Planaltina, construídos na década de 1970, e também criticou a estrutura do Hospital Regional do Guará.

Na avaliação do candidato, uma das alternativas é ampliar a capacidade de atendimento sem depender exclusivamente da construção de novas unidades.

“A gente precisa aumentar muito o número de leitos. E a gente pode aumentar o número de leitos, dando eficiência ao sistema. Porque você pode ter o mesmo número de leitos, mas as pessoas ficando internadas menos tempo”, explicou.

Espera por cirurgia

Kiko também relatou casos de pacientes que, segundo ele, enfrentam longos períodos de espera para conseguir uma cirurgia. Como exemplo, citou pacientes ortopédicos que poderiam ter o quadro agravado pela demora.

“Tem gente, paciente ortopédico, que demora tanto para ser operado que o osso acaba se consolidando na posição errada. Antes de operar, tem que quebrar de novo”, afirmou.

Segundo ele, além de prejudicar o paciente, situações como essa podem elevar os custos para o próprio Estado, já que procedimentos mais complexos tendem a demandar mais recursos.

Kiko resumiu o problema utilizando uma expressão bem-humorada para descrever a dificuldade de reunir todas as condições necessárias para uma cirurgia.

“Eu brinco dizendo que é quase uma conjunção cósmica para a pessoa que conseguiu uma cirurgia aqui no DF”, afirmou.

Segundo ele, é preciso que estejam disponíveis simultaneamente paciente, médico, anestesista, sala cirúrgica e materiais.

“Choque de honestidade” em propagação

Ao relacionar os problemas da saúde à gestão pública, Kiko voltou a defender uma mudança na administração do Distrito Federal.

“Quando a gente entrar no GDF, a primeira coisa que a gente vai fazer é um choque de honestidade”, afirmou.

O candidato disse considerar a corrupção e problemas de gestão como alguns dos principais desafios do DF. Segundo ele, a percepção da população sobre essas questões também estaria mudando.

Durante a entrevista, Kiko ainda defendeu o fortalecimento das equipes de saúde da família e afirmou que é nesse atendimento de base que o governo deveria concentrar parte dos esforços.

“A gente não pode normalizar não ter as equipes de saúde na família. É ali que a gente tem que gastar mais energia”, declarou.

Para o candidato, a melhoria da saúde pública passa, portanto, não apenas pela ampliação da estrutura, mas principalmente pela gestão dos recursos, dos profissionais, dos leitos e do tempo de atendimento.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Editora do Portal Infonews, atua na cobertura de política, economia, saúde e cidades.

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