A chegada do ministro Kassio Nunes Marques ao comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem provocado movimentação nos bastidores de Brasília. Integrantes do governo do presidente Lula (PT) intensificaram conversas com o magistrado para defender uma atuação mais rígida da Corte no combate às fake news durante as eleições de 2026, principalmente diante do avanço do uso de inteligência artificial na produção de conteúdos falsos.
Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Nunes Marques assume oficialmente a presidência do tribunal nesta terça-feira (12). O ministro é conhecido por um perfil reservado, distante de embates públicos e favorável a decisões mais moderadas, característica que tem gerado preocupação entre auxiliares do Planalto.
Nos bastidores, assessores petistas avaliam que a postura discreta do magistrado pode dificultar ações mais firmes contra campanhas de desinformação ao longo do processo eleitoral. Também há receio de que a interlocução de Nunes Marques com partidos de direita influencie o ambiente das decisões tomadas pela Corte.
Pessoas próximas ao ministro, no entanto, rejeitam qualquer leitura de alinhamento político e ressaltam a independência de suas decisões. Como argumento, lembram que aliados de Bolsonaro ainda demonstram insatisfação pelo fato de Nunes Marques não ter atuado para adiar o julgamento que tornou o ex-presidente inelegível.
Apesar da resistência no governo, setores da oposição consideram que a nova composição do TSE traz maior equilíbrio ao cenário eleitoral. Esta será a primeira disputa presidencial comandada por ministros indicados por Bolsonaro. Além de Nunes Marques, o ministro André Mendonça também terá papel de destaque na condução das eleições de 2026.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Já no dia seguinte à posse da nova presidência, o TSE realizará um teste público para validar melhorias implementadas nas urnas eletrônicas após avaliações técnicas feitas no fim de 2025.
*Com informações de CNN



