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Gonet destaca desafios das eleições com crime organizado, fake news e violência política

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou à CNN que a influência do crime organizado no processo eleitoral, a disseminação de desinformação por meio de tecnologias e a violência política estão entre os principais desafios das eleições de outubro deste ano.

Segundo Gonet, essas ameaças não atingem apenas candidatos, mas colocam em risco a própria legitimidade das instituições democráticas. Diante desse cenário, ele destacou que o Ministério Público Eleitoral tem adotado uma atuação preventiva, coordenada e firme.

Além de chefiar a Procuradoria-Geral da República, Gonet exerce o cargo de procurador-geral eleitoral, com atuação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cabe a ele acompanhar as sessões da Corte e se manifestar em ações eleitorais. Ao longo do ano, essa representação no tribunal é realizada pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa.

Entre as medidas preventivas adotadas pelo MP Eleitoral para enfrentar o crime organizado está a criação, no fim de 2025, de um grupo de trabalho voltado ao apoio de procuradores e promotores. A equipe atua de forma articulada com os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos). Além disso, trabalha junto aos Núcleos de Inteligência dos Ministérios Públicos Federal, estaduais e do Distrito Federal e Territórios.

Violência de gênero

Gonet também apontou como prioridade o combate à violência política de gênero e a ampliação da participação feminina na política. Segundo ele, uma orientação conjunta da Procuradoria-Geral Eleitoral e da Câmara Criminal do Ministério Público Federal prevê a priorização de investigações e ações judiciais relacionadas a esse tipo de crime. Nesse contexto, o foco é a responsabilização dos agressores e a proteção das vítimas.

Outro grupo de trabalho instituído pelo procurador-geral acompanha casos de violência política contra mulheres em todo o país e mantém diálogo com partidos e outras instituições para prevenir e coibir essas práticas. A iniciativa inclui mecanismos de prevenção, acolhimento, acompanhamento e resposta às ocorrências.

Gonet ressaltou ainda que o MP Eleitoral fiscaliza o cumprimento da cota de gênero nas eleições. Além disso, atua em todas as instâncias da Justiça para combater fraudes.

O desafio da tecnologia

O procurador-geral destacou, ainda, a atenção especial exigida pelo uso de tecnologias na disseminação de notícias falsas. As eleições municipais de 2024 foram as primeiras no Brasil a contar com regras específicas para o uso de inteligência artificial. Esse cenário deve se repetir nas disputas deste ano.

Segundo ele, o Ministério Público tem investido no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para auxiliar procuradores e promotores na identificação de irregularidades. Além disso, quer ajudar na preservação de provas digitais.

Gonet afirmou, por fim, que os desafios das eleições de 2026 encontrarão o Ministério Público com o mesmo compromisso cívico e determinação exigidos pela democracia. De acordo com ele, o órgão seguirá vigilante e atuante para garantir que a vontade do eleitor prevaleça. Dessa forma, a democracia brasileira deverá sair novamente fortalecida.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Editora do Portal Infonews, atua na cobertura de política, economia, saúde e cidades.

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