Dino fala de corrupção no Judiciário. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF.
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Flávio Dino alerta para sofisticação da corrupção no meio jurídico: ‘narcisismo meritocrático’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, avaliou que a corrupção no sistema de Justiça brasileiro apresenta atualmente maior frequência, maior sofisticação e mais visibilidade pública. Ainda assim, ele ressalta que a maior parte dos profissionais que atuam na área permanece distante de práticas ilícitas.

Em artigo publicado no Correio Braziliense, o ministro afirma que, desde sua entrada na magistratura nos anos 1990, a atuação predominante nas carreiras jurídicas segue marcada pela integridade e pelo afastamento de irregularidades.

Dino, no entanto, aponta que casos envolvendo venda de decisões judiciais, emissão de pareceres e outras condutas ilegais teriam se tornado mais complexos, envolvendo estruturas financeiras sofisticadas e esquemas de lavagem de dinheiro.

Ele reconhece a importância de mecanismos de controle como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de códigos de conduta aplicados a magistrados, advogados e membros do Ministério Público. Ainda assim, avalia que esses instrumentos não têm sido suficientes para eliminar completamente práticas ilícitas.

O ministro também atribui parte do problema a fatores sociais e culturais, como a busca por enriquecimento rápido, o individualismo e a valorização excessiva do sucesso financeiro. Ele critica o que chama de “narcisismo meritocrático” e a normalização de comportamentos incompatíveis com a função pública.

No texto, Dino defende o endurecimento das regras de responsabilização dentro do sistema de Justiça, especialmente em casos de corrupção, peculato e prevaricação. Ele sugere a criação de tipos penais mais específicos e punições mais severas quando essas condutas forem praticadas por integrantes do Judiciário, Ministério Público, advocacia e demais funções jurídicas.

Também propõe que o afastamento de agentes públicos ocorra já nas fases iniciais de processos criminais, além da perda automática do cargo em caso de condenação definitiva.

Outro ponto defendido é a ampliação da punição para práticas que dificultem ou interfiram em investigações e processos judiciais, independentemente da natureza do caso.

Ao defender mudanças mais rígidas, o ministro sustenta que a preservação da credibilidade do sistema de Justiça depende de respostas mais firmes do Estado, incluindo o uso do direito penal como ferramenta de contenção de abusos.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Atuou em TV e em assessoria de imprensa, mas tem carinho especial por redação.

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