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Benito di Paula: como o piano e o romantismo ajudaram a mudar a história do samba

Cantor e compositor morreu no domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo, enquanto tratava um câncer de próstata

Poucos artistas conseguiram unir o balanço do samba, o romantismo das canções populares e a força de um piano tão característico quanto Benito di Paula. Com uma interpretação intensa e um estilo que fugia dos padrões tradicionais do gênero, o cantor e compositor construiu uma trajetória de mais de cinco décadas e se tornou um dos nomes marcantes da música brasileira.

Benito morreu no domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo, enquanto tratava um câncer de próstata. Sua história, no entanto, vai muito além da notícia: passa por sucessos que continuam presentes na memória do público e por uma maneira particular de interpretar e apresentar o samba.

O artista que aproximou o samba do romantismo

Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, Benito começou a desenvolver sua relação com a música ainda jovem. Seu pai, José Vellozo, também músico, teve influência em seu contato com os instrumentos.

Antes de alcançar projeção nacional, Benito trabalhou como crooner em casas noturnas. Foi nesse período que desenvolveu a presença de palco e a forma de interpretar que mais tarde se tornariam marcas de sua carreira.

A popularidade cresceu principalmente na década de 1970, quando o artista apresentou ao público uma combinação de samba, piano e melodias românticas. A mistura conquistou espaço nas rádios e nos discos, consolidando uma sonoridade própria.

A imprensa associou seu estilo ao chamado “samba-jóia”, expressão usada para caracterizar essa vertente mais romântica e popular. Benito, porém, não gostava do rótulo, e sua trajetória mostrou que sua música não se limitava a uma única definição.

“Retalhos de Cetim” e outros sucessos que atravessaram gerações

O grande impulso na carreira veio em 1973, com a música “Retalhos de Cetim”, que se tornou uma das composições mais conhecidas de seu repertório. A canção ajudou a ampliar seu alcance nacional e também ganhou interpretações de outros artistas.

Outras músicas consolidaram sua presença na memória popular, entre elas “Meu Amigo Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Vai Ficar na Saudade” e “Tudo Está no Seu Lugar”.

O repertório demonstrava a capacidade de Benito de transformar sentimentos cotidianos em canções acessíveis, com melodias marcantes e interpretações que aproximavam o artista de diferentes públicos.

Sua influência também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Ao longo da carreira, suas composições e gravações chegaram a outros países, com lançamentos e apresentações internacionais.

Uma carreira que foi além dos discos

Benito também teve experiências na televisão. Na década de 1970, apresentou o programa “Brasil Som 75”, exibido pela TV Tupi, ampliando sua presença para além dos palcos e das rádios.

Décadas depois, o artista continuou ligado à música e à própria obra. Em 2021, lançou com o filho, Rodrigo Vellozo, o projeto “Benito 80: Novo Samba Sempre Novo”, que revisitou canções de sua trajetória com novas interpretações e participações de outros músicos.

A relação com a nova geração também apareceu no Carnaval de São Paulo. Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro levou para a avenida o enredo “Em Retalhos de Cetim”, homenagem à vida e à obra do compositor. A escolha mostrou como sua história continuava despertando interesse para além do público que acompanhou o auge de sua carreira.

O legado de Benito di Paula na música brasileira

A contribuição de Benito está na construção de uma identidade artística reconhecível: o piano em destaque, o samba combinado a melodias românticas e uma interpretação que se tornou sua assinatura.

Embora seu estilo tenha sido alvo de classificações e críticas ao longo dos anos, o sucesso popular de suas músicas consolidou seu espaço na história da MPB. Suas composições permaneceram vivas em gravações, apresentações e lembranças afetivas de diferentes gerações.

Mais do que uma coleção de sucessos, a obra de Benito di Paula representa uma forma particular de fazer samba: popular, romântica e marcada pela personalidade de seu intérprete. É essa combinação que mantém suas canções presentes na música brasileira mesmo após o encerramento de sua trajetória.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Editora do Portal Infonews, atua na cobertura de política, economia, saúde e cidades.

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