O que é o linfoma não Hodgkin que levou Netinho à morte
Cantor morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após complicações da doença; câncer afeta células do sistema de defesa do organismo

A morte do cantor Netinho, nesta terça-feira (13), despertou dúvidas sobre o linfoma não Hodgkin. O artista, conhecido por sucessos como Milla e Capricho dos Deuses, tinha 60 anos e tratava um linfoma do tipo B.
Diagnosticado em março de 2025, Netinho passou por sessões de quimioterapia e chegou a retomar os compromissos profissionais. A doença, entretanto, voltou em 2026. Segundo a equipe do cantor, o quadro evoluiu para falência renal e disfunção de múltiplos órgãos.
Mas o que é o linfoma não Hodgkin, quais são os principais sinais e como a doença é tratada?
O que é o linfoma não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin é um grupo de cânceres que se desenvolvem no sistema linfático, parte do sistema imunológico responsável por ajudar o organismo a combater infecções e outras doenças.
O sistema linfático inclui os linfonodos, popularmente conhecidos como gânglios, além de estruturas como baço, medula óssea, amígdalas e vasos distribuídos por diferentes regiões do corpo.
A doença começa quando determinados linfócitos, células de defesa presentes nesse sistema, sofrem alterações e passam a se multiplicar de maneira descontrolada.
Existem diversos subtipos de linfoma não Hodgkin. Eles podem surgir nos linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos, ou nos linfócitos T, que participam de outras respostas de defesa do organismo.
O linfoma enfrentado por Netinho era do tipo B. Essa classificação indica a célula na qual a doença se originou e não representa, isoladamente, o estágio ou a gravidade do câncer.
A doença pode evoluir de maneiras diferentes
Os linfomas não Hodgkin são classificados como indolentes ou agressivos. Os indolentes costumam crescer lentamente e, em alguns casos, podem permanecer por determinado período sem provocar sintomas importantes.
Já os linfomas agressivos apresentam crescimento mais rápido e geralmente exigem tratamento imediato. Mesmo assim, a velocidade de evolução não determina sozinha as possibilidades de resposta ao tratamento.
O prognóstico depende de fatores como o subtipo do linfoma, o estágio da doença, os órgãos atingidos, a idade, as condições clínicas do paciente e a resposta às terapias utilizadas.
Quais são os principais sintomas?
Um dos sinais mais conhecidos é o aumento dos linfonodos. A pessoa pode perceber o aparecimento de caroços, geralmente indolores, em regiões como pescoço, axilas ou virilha.
Outros sintomas que podem estar associados ao linfoma não Hodgkin incluem:
- febre sem causa conhecida;
- suor noturno excessivo;
- perda de peso sem explicação;
- cansaço persistente;
- coceira na pele;
- dores no peito, abdômen ou ossos;
- aumento dos gânglios linfáticos.
Esses sinais também podem ser provocados por infecções e outras condições que não têm relação com câncer. A presença de um sintoma isolado, portanto, não confirma a doença.
A recomendação é procurar atendimento médico quando os sinais persistirem, piorarem ou surgirem sem uma explicação aparente.
Como o diagnóstico é realizado?
A confirmação do linfoma não Hodgkin depende de avaliação médica e exames específicos. A biópsia é uma das principais etapas do diagnóstico e consiste na retirada de uma amostra do tecido, geralmente de um linfonodo, para análise em laboratório.
Exames de sangue e de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, também podem ser solicitados. Em determinadas situações, são realizados exames da medula óssea ou do líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal.
Após a confirmação, os médicos identificam o subtipo do linfoma e avaliam a extensão da doença. Essas informações ajudam a definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Como é feito o tratamento?
O tratamento varia conforme o subtipo, o estágio e o comportamento do linfoma. Entre as opções estão quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e medicamentos direcionados a características específicas das células cancerígenas.
Em alguns casos de crescimento lento, o médico pode recomendar apenas acompanhamento periódico no início. Essa estratégia é adotada quando a doença não apresenta progressão ou sintomas que exijam intervenção imediata.
Casos mais agressivos geralmente precisam de tratamento rápido. Alguns pacientes também podem receber indicação de transplante de células-tronco, dependendo das características da doença e da resposta às terapias anteriores.
Mesmo depois do fim do tratamento, o acompanhamento médico continua sendo necessário para observar possíveis efeitos das terapias e identificar sinais de retorno da doença.
Brasil deve registrar mais de 12 mil casos por ano
O Instituto Nacional de Câncer estima que o Brasil registre 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin por ano entre 2026 e 2028. Desse total, são estimados 6.580 diagnósticos em homens e 5.980 em mulheres a cada ano.
Pessoas com o sistema imunológico comprometido apresentam risco aumentado. Algumas infecções, doenças autoimunes, medicamentos imunossupressores e exposições ocupacionais a determinadas substâncias químicas também são associadas a alguns tipos de linfoma.
Não existe um exame de rotina recomendado para o rastreamento da doença em pessoas sem sintomas. Por isso, a avaliação de alterações persistentes e a busca por atendimento médico são importantes para possibilitar o diagnóstico precoce.



