Rivais nos embates, gigantes nas urnas: Nikolas e Erika batem recordes
O resultado coloca lado a lado, novamente, dois parlamentares que representam posições políticas bastante diferentes e que já tiveram diversos confrontos públicos dentro e fora do plenário
As urnas de 2026 produziram uma coincidência que chama atenção na nova composição da Câmara dos Deputados: Nikolas Ferreira (PL-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), dois parlamentares que protagonizaram embates políticos nos últimos anos, terminaram entre os nomes mais votados do país.
Nikolas foi o deputado federal mais votado do Brasil, com 3.119.318 votos. Já Erika recebeu 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada da história da Câmara. No ranking geral, ela ficou em terceiro lugar, atrás de Nikolas e Lucas Pavanato (PL-SP).
O resultado coloca lado a lado, novamente, dois parlamentares que representam posições políticas bastante diferentes e que já tiveram diversos confrontos públicos dentro e fora do plenário.
Uma relação marcada por embates
A relação entre Nikolas e Erika ganhou notoriedade desde 2023, quando o deputado fez um discurso no plenário durante o Dia Internacional da Mulher usando uma peruca e fazendo uma fala que gerou reação de parlamentares, entre elas Erika.
O episódio provocou uma representação no Conselho de Ética da Câmara, que acabou arquivada.
Os confrontos continuaram nos anos seguintes.
Em 2024, os dois voltaram a protagonizar uma discussão durante uma sessão da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. O episódio terminou com Erika recorrendo à Justiça.
O conflito chegou à Comissão da Mulher
Em março de 2026, a disputa ganhou um novo capítulo.
Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o comando do colegiado.
Nikolas reagiu à escolha e articulou uma mobilização contra a presidência de Erika, incluindo um abaixo-assinado e pedidos para que parlamentares obstruíssem os trabalhos da comissão.
Meses depois, durante a campanha eleitoral, os dois voltaram a aparecer em lados opostos em episódios envolvendo declarações e disputas políticas.
Em setembro, Erika também acionou a Justiça Eleitoral contra Nikolas após o deputado republicar um documento atribuído à Polícia Federal que posteriormente foi confirmado como falso. Nikolas afirmou que havia apenas repostado o conteúdo e apagou a publicação.
E agora, os dois voltam ainda maiores
O resultado das urnas muda o tamanho político dos dois dentro da Câmara.
Nikolas não apenas foi reeleito: superou a marca de 3 milhões de votos e estabeleceu o maior número já registrado por um deputado federal na história da Câmara.
Erika, por sua vez, também alcançou um resultado histórico. Com mais de 1,5 milhão de votos, tornou-se a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados, superando o recorde anterior de Joice Hasselmann, de 2018.
Os números mostram que, apesar dos confrontos que marcaram a relação entre os dois parlamentares, ambos chegam à próxima legislatura com votações expressivas.
E o detalhe que chama atenção é justamente esse: dois dos maiores fenômenos eleitorais da nova Câmara são também personagens de uma das relações mais marcadas por divergências e embates do Congresso recente.



