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Quem foi Dolly Parton? Relembre a trajetória da estrela que transformou a música country

De uma infância humilde no Tennessee ao estrelato mundial, cantora construiu uma carreira de mais de seis décadas com clássicos como “Jolene” e “I Will Always Love You”

Dolly Parton construiu uma trajetória que ultrapassou as fronteiras da música country. Cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa, a artista norte-americana transformou suas origens humildes em inspiração para algumas de suas músicas mais conhecidas e se tornou uma das figuras mais influentes da cultura popular dos Estados Unidos.

A cantora morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, em Nashville, no Tennessee. Segundo seu representante, ela morreu de forma tranquila. A causa não havia sido divulgada até a última atualização.

Mais do que a notícia de sua morte, a trajetória de Dolly ajuda a explicar por que seu nome permaneceu relevante durante tantas décadas.

Da infância pobre no Tennessee para a música

Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Locust Ridge, no Tennessee. Ela cresceu em uma família de poucos recursos e era uma entre 12 irmãos.

A música apareceu cedo. Ainda criança, Dolly começou a escrever canções e ganhou seu primeiro violão aos oito anos. Aos 11, já cantava em uma rádio local e, aos 13, apresentou-se no Grand Ole Opry, tradicional palco da música country em Nashville.

Depois de concluir o ensino médio, mudou-se para Nashville determinada a construir uma carreira profissional. Inicialmente, encontrou espaço principalmente como compositora.

Parceria com Porter Wagoner abriu caminho para o sucesso

Um dos momentos decisivos ocorreu quando Dolly passou a trabalhar com o cantor Porter Wagoner. A parceria levou a artista para a televisão e ampliou sua projeção dentro da música country.

Os dois gravaram diversos duetos e Dolly tornou-se presença conhecida do público do gênero. Com o crescimento da carreira, porém, ela decidiu seguir seu próprio caminho.

A despedida profissional inspirou uma das composições mais importantes de sua vida: “I Will Always Love You”.

Lançada por Dolly em 1974, a música alcançou o primeiro lugar nas paradas country. Quase duas décadas depois, ganhou uma versão de Whitney Houston para o filme O Guarda-Costas e se transformou em um fenômeno mundial.

“Jolene” transformou-se em um clássico

Outro título inseparável da carreira de Dolly é “Jolene”.

A canção, lançada nos anos 1970, tornou-se uma das músicas mais reconhecidas de seu repertório e atravessou gerações por meio de inúmeras regravações e interpretações.

Décadas depois de seu lançamento original, artistas de diferentes estilos continuaram revisitando a composição. Entre eles está Beyoncé, que apresentou sua própria interpretação de “Jolene” no álbum Cowboy Carter.

“Coat of Many Colors”, “Joshua” e “9 to 5” estão entre outros títulos que ajudaram a consolidar sua discografia.

Ao longo da vida, Dolly escreveu cerca de 3 mil músicas, embora tenha gravado apenas uma parcela delas. Para a artista, a composição ocupava um lugar especial até mesmo diante de todas as outras áreas em que alcançou sucesso.

Dolly Parton também conquistou Hollywood

O alcance de Dolly não ficou restrito aos palcos.

Em 1980, ela estreou em um grande papel no cinema em “9 to 5”, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. A música-tema, composta e interpretada por Dolly, tornou-se outro de seus grandes sucessos e rendeu uma indicação ao Oscar de melhor canção original.

Depois vieram produções como The Best Little Whorehouse in Texas, Rhinestone, Straight Talk e “Steel Magnolias”, conhecido no Brasil como Flores de Aço.

Sua relação com televisão e cinema continuaria durante as décadas seguintes, incluindo participações em produções destinadas a públicos mais jovens.

Ela apareceu, por exemplo, em “Hannah Montana”, interpretando a madrinha da personagem de Miley Cyrus. Fora da ficção, Dolly também era madrinha de Miley.

Do country ao pop — e depois ao rock

Uma das características da carreira de Dolly foi sua capacidade de circular por diferentes públicos sem abandonar a identidade country.

Ela conseguiu chegar às paradas pop, retornar posteriormente às raízes com trabalhos ligados ao bluegrass e, já depois dos 70 anos, experimentar outro gênero.

Em 2022, Dolly foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame. No ano seguinte, lançou Rockstar, seu primeiro álbum de rock, reunindo convidados como Paul McCartney, Elton John, Sting, Pink, Sheryl Crow e Miley Cyrus.

A longevidade ajudou a transformar Dolly em uma artista capaz de dialogar com gerações muito diferentes.

Dollywood transformou cantora em empresária

Fora da música, Dolly também construiu uma carreira empresarial de grande alcance.

Em 1986, tornou-se parceira de um parque de diversões no Tennessee que passou a se chamar Dollywood.

O empreendimento cresceu e se tornou um importante complexo turístico da região das Great Smoky Mountains, próximo de onde a artista nasceu. O projeto também ajudou a movimentar economicamente uma região com a qual Dolly manteve forte ligação durante toda a vida.

Projeto de Dolly distribuiu milhões de livros

Uma das partes mais importantes de seu legado aconteceu longe dos palcos.

Em 1995, Dolly criou a Imagination Library, projeto dedicado a enviar gratuitamente livros para crianças pequenas.

A iniciativa começou no Tennessee e posteriormente alcançou outras regiões dos Estados Unidos e diferentes países. A inspiração tinha relação direta com sua própria família: o pai da cantora não sabia ler nem escrever.

A educação infantil acabou se tornando uma das principais bandeiras filantrópicas de Dolly.

Ela também destinou recursos para outras causas. Em 2020, doou US$ 1 milhão para pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19. Também ajudou famílias afetadas pelos incêndios florestais que atingiram o Tennessee em 2016.

Uma carreira marcada por números históricos

Ao longo de mais de seis décadas, Dolly acumulou números que ajudam a dimensionar sua influência.

Foram mais de 100 milhões de discos vendidos, cerca de 3 mil músicas compostas e 25 canções que chegaram ao primeiro lugar da parada country da Billboard. Ela também recebeu Grammys e um prêmio pelo conjunto da obra da Recording Academy.

Em 1999, foi incluída no Country Music Hall of Fame, reconhecimento reservado aos nomes fundamentais da história do gênero.

O legado de Dolly Parton

A importância de Dolly Parton não está concentrada em uma única música ou fase da carreira.

Ela ajudou a ampliar o espaço das mulheres dentro da música country, conseguiu atravessar para o pop sem abandonar suas raízes e transformou sua habilidade como compositora em uma obra que continuou sendo reinterpretada décadas depois.

Ao mesmo tempo, construiu negócios, atuou no cinema e direcionou parte da fortuna e da influência para projetos educacionais e humanitários.

Dolly costumava considerar as próprias canções como seu principal legado. Com “Jolene”, “Coat of Many Colors”, “9 to 5” e “I Will Always Love You” atravessando gerações, sua obra permanece como parte da história da música popular mundial.

Redação Portal Infonews

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