Calor muda cenário e mercado de sorvetes espera alta de até 40% no DF
A combinação entre temperaturas mais altas e o comportamento sazonal do consumo tem ajudado a movimentar o setor, que espera uma aceleração nas vendas nos próximos meses
Depois de um primeiro semestre de resultados abaixo do registrado no ano passado, o mercado de sorvetes no Distrito Federal começa a apresentar sinais de recuperação. A combinação entre temperaturas mais altas e o comportamento sazonal do consumo tem ajudado a movimentar o setor, que espera uma aceleração nas vendas nos próximos meses.
Dados do Sindiatacadista-DF apontam que as vendas acumuladas no ano ainda estão cerca de 4% abaixo do mesmo período de 2025. Apesar disso, os números mais recentes indicam uma reação.
Em agosto, o volume comercializado ficou 17% acima da média registrada entre janeiro e julho. Para setembro e outubro, o setor trabalha com uma perspectiva ainda mais otimista, estimando uma alta de até 40% na média das vendas em relação aos sete primeiros meses do ano.
Temperaturas mais altas favorecem consumo
O clima tem papel importante nesse movimento. Agosto, setembro e outubro costumam registrar aumento na procura por sorvetes, picolés, açaí e outras opções geladas. Com a elevação das temperaturas, comerciantes e distribuidores esperam que essa tendência se intensifique.
“Historicamente, agosto, setembro e outubro apresentam uma melhora significativa no consumo de sorvetes. Neste ano, já observamos esse movimento em agosto, com crescimento de 17% em relação à média dos meses anteriores. Para setembro e outubro, a expectativa é ainda mais positiva, com possibilidade de crescimento de até 40%”, explica Lysipo Torminn Gomide, diretor da Brassol Brasília Alimentos e Sorvetes.
A expectativa é que o desempenho dos próximos meses ajude a diminuir a diferença acumulada ao longo do ano.
Consumidor busca produtos diferenciados
Além das temperaturas, o setor identifica outra mudança importante: o consumidor está mais atento à qualidade dos produtos. Segundo o Sindiatacadista-DF, cresce a procura por marcas e opções premium, indicando que parte do público está disposta a pagar mais por produtos que ofereçam uma experiência diferenciada.
Para Alaor Gomes, presidente da entidade, os números mostram como o clima interfere diretamente no comportamento de compra.
“De fato, quando comparamos o desempenho deste ano com o mesmo período do ano passado, observamos uma queda no consumo de sorvetes. Mas, quando analisamos a evolução dentro do próprio ano, percebemos uma reação importante nos últimos meses. Isso mostra que as condições climáticas têm um impacto direto nesse mercado. Com a chegada do calor, o consumidor naturalmente procura mais produtos refrescantes, e o sorvete acaba sendo beneficiado”, afirma.
Gomes também destaca que a preferência por produtos de maior valor agregado vem ganhando espaço.
“Ele está cada vez mais exigente e buscando produtos de maior qualidade. Isso tem refletido, inclusive, no aumento do consumo do segmento premium. Hoje, o consumidor não quer apenas comprar um sorvete; ele procura uma experiência melhor, um produto que entregue qualidade e que justifique a sua escolha”, diz.
O mesmo movimento, segundo o presidente do Sindiatacadista-DF, também pode ser observado nas vendas de açaí.
Com a aproximação dos meses mais quentes, o setor aposta no aumento do consumo para recuperar parte das perdas registradas no início do ano e movimentar toda a cadeia ligada aos produtos gelados.



