“Quem não tem medo da verdade, assina”, diz senador ao iniciar mobilização por CPMI do Lulinha
Carlos Viana anunciou que protocolou o pedido e afirmou que agora busca o apoio de deputados e senadores para viabilizar a comissão
O senador Carlos Viana (PSD-MG) iniciou uma mobilização no Congresso para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar fatos relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nas redes sociais, Viana anunciou que protocolou o pedido e afirmou que agora busca o apoio de deputados e senadores para viabilizar a comissão. Para que uma CPMI seja instalada, é necessária a assinatura de parlamentares das duas Casas do Congresso.
“Agora precisamos das 27 assinaturas necessárias. E eu preciso da ajuda de vocês: cobrem os senadores dos seus estados para que assinem imediatamente essa CPI”, afirmou.
Inicialmente apresentado como uma CPI no Senado, o requerimento foi transformado em proposta de CPMI após parlamentares demonstrarem interesse em participar da iniciativa. Segundo Viana, a mudança permite ampliar a mobilização para deputados e senadores.
O que Viana quer investigar
Na publicação, o senador afirmou que a comissão deverá esclarecer “quais interesses foram intermediados” e qual teria sido o papel de Lulinha nos episódios atualmente investigados.
“Quero saber quem abriu portas dentro do Governo, quais interesses foram intermediados e qual foi, de fato, o papel de Lulinha nos episódios investigados”, declarou.
Viana relacionou a iniciativa às investigações conduzidas pela Polícia Federal que envolvem Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo informações divulgadas a partir das apurações, mensagens analisadas pela PF apontam que Luchsinger teria mencionado o nome de Lulinha em negociações relacionadas a um projeto de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.
O material também envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete do presidente Lula. Segundo a PF, a lobista teria enviado a ele uma minuta de contrato relacionada à venda de medicamentos ao Ministério da Saúde. Marcola confirmou ter recebido o documento, mas negou favorecimento e afirmou que a proposta não avançou.
PGR pediu envio de inquérito à primeira instância
A mobilização de Viana ocorre no momento em que a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal que um dos inquéritos envolvendo Lulinha seja remetido à primeira instância.
A PGR argumenta que não há, no caso, investigados com foro por prerrogativa de função que justifiquem a permanência do processo no STF. A decisão sobre o pedido caberá ao ministro André Mendonça, relator da investigação.
Viana, porém, interpreta a possibilidade de mudança de instância como motivo para defender a criação da CPMI. Nas redes sociais, o senador afirmou que haveria uma tentativa de “blindar” as investigações, embora essa seja uma avaliação apresentada por ele.
“O Brasil exige investigação. Filho do presidente da República não está acima da lei”, afirmou.
Investigação ainda está em andamento
Lulinha é alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas de tráfico de influência. As apurações também analisam a atuação de Roberta Luchsinger e possíveis conexões com pessoas que tiveram acesso a órgãos do governo.
As acusações, entretanto, ainda estão sob investigação e não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de Lulinha. A defesa do filho do presidente nega envolvimento em irregularidades e questiona a divulgação de mensagens e informações parciais das investigações.
Para Viana, a CPMI seria uma forma de ampliar a apuração no Congresso. “Quem não tem medo da verdade, assina”, escreveu o senador ao convocar parlamentares para aderirem ao pedido.



