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SBT completa 45 anos: relembre a história da emissora que nasceu diante das câmeras

Criado por Silvio Santos em 19 de agosto de 1981, canal atravessou gerações com auditório, novelas, jornalismo, programas infantis e formatos que entraram para a história da televisão brasileira

O SBT completa 45 anos nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026. Fundada por Silvio Santos, a emissora começou oficialmente suas transmissões em 1981 e construiu uma trajetória marcada pela forte ligação com o público, por programas populares e por personagens que atravessaram gerações.

A própria estreia já foi diferente de praticamente tudo o que se conhecia na televisão. A assinatura do contrato de concessão foi transmitida, e o público pôde acompanhar pela TV um dos momentos que marcaram o nascimento do canal. O SBT define o episódio como um feito único: a emissora teria sido a única no mundo a transmitir o próprio nascimento.

Quatro décadas e meia depois, a história iniciada por Silvio Santos permanece ligada a alguns dos programas, apresentadores e personagens mais reconhecidos da cultura popular brasileira.

O nascimento do SBT

A origem da emissora está diretamente relacionada à trajetória empresarial de Silvio Santos.

O comunicador já comandava programas de enorme popularidade e possuía experiência no setor televisivo quando conquistou novas concessões para montar uma rede nacional.

Em 19 de agosto de 1981, começava oficialmente a história do Sistema Brasileiro de Televisão.

Desde os primeiros anos, uma característica ficou evidente: aproximar a televisão do público. Auditórios, brincadeiras, telefonemas de telespectadores, distribuição de prêmios e formatos de participação popular se tornaram parte da identidade do canal. Décadas antes das redes sociais, a interação direta com quem estava em casa já fazia parte da programação.

Silvio Santos virou o rosto da emissora

É praticamente impossível contar a história do SBT sem falar de Silvio Santos.

Mais do que proprietário da rede, ele permaneceu durante décadas como sua principal estrela. Aos domingos, transformou seu programa em um dos produtos mais longevos e reconhecidos da televisão brasileira.

Quadros e atrações como Show do Milhão, Topa Tudo por Dinheiro, Qual é a Música?, Porta da Esperança, Em Nome do Amor e Namoro na TV ajudaram a construir a memória afetiva do canal.

O jeito espontâneo de conversar com o auditório, as brincadeiras com funcionários e convidados e bordões repetidos por gerações transformaram Silvio em parte inseparável da identidade do SBT.

Programas infantis marcaram gerações

A programação infantil também ocupa um capítulo importante desses 45 anos.

Bozo se tornou um fenômeno durante os primeiros anos da emissora. Mais tarde, nomes como Mara Maravilha, Eliana e Jackeline Petkovic comandaram atrações voltadas às crianças.

Mas poucos programas tiveram impacto comparável ao Bom Dia & Cia, que atravessou diferentes fases e apresentadores.

A combinação de desenhos, brincadeiras e participação de crianças por telefone ajudou a consolidar uma linguagem que marcou a infância de milhões de brasileiros.

Chaves se tornou símbolo do canal

Embora não tenha sido produzido pelo SBT, Chaves tornou-se tão associado à emissora que acabou fazendo parte de sua identidade.

As histórias da vila criada por Roberto Gómez Bolaños foram exibidas inúmeras vezes ao longo das décadas e conquistaram diferentes gerações no Brasil.

O mesmo aconteceu com Chapolin, outra produção mexicana que encontrou no público brasileiro uma relação duradoura.

As reprises constantes ajudaram a transformar personagens como Chaves, Seu Madruga, Chiquinha, Quico e Dona Florinda em figuras extremamente populares no país.

Novelas mexicanas viraram fenômeno

Outro elemento fundamental dessa história foram as novelas estrangeiras.

Produções mexicanas como Maria do Bairro, Marimar, A Usurpadora, Rosalinda e Rubi conquistaram enorme popularidade e receberam diferentes reprises.

Entre elas, Carrossel, exibida originalmente no Brasil no início dos anos 1990, tornou-se um fenômeno entre o público infantil.

Anos depois, o próprio SBT investiria em uma adaptação brasileira da história.

SBT construiu sua própria dramaturgia

A dramaturgia nacional também ganhou força dentro da emissora.

Produções como Éramos Seis, Canavial de Paixões e Esmeralda marcaram diferentes períodos, enquanto a partir da década de 2010 o canal fortaleceu a produção de novelas voltadas ao público infantojuvenil.

Carrossel, Chiquititas, Cúmplices de um Resgate, As Aventuras de Poliana e Poliana Moça ajudaram a apresentar o SBT a uma nova geração.

Além da audiência televisiva, músicas, produtos licenciados, shows e conteúdos digitais ampliaram o alcance dessas produções.

Ratinho, Gugu e Hebe fazem parte dessa história

O SBT também reuniu alguns dos maiores comunicadores da televisão brasileira.

Hebe Camargo permaneceu durante anos como uma das principais estrelas da casa. Seu tradicional sofá recebeu artistas, políticos e personalidades de diferentes gerações.

Gugu Liberato construiu grande parte de sua trajetória no canal e transformou o Domingo Legal em um dos maiores programas dominicais do país.

Carlos Massa, o Ratinho, chegou ao SBT em 1998 e tornou-se outro nome diretamente associado à emissora, comandando uma atração que mistura entretenimento, música, humor e participação popular.

Praça é Nossa atravessa décadas

A comédia também ajudou a formar a identidade do canal.

A Praça é Nossa, comandada por Carlos Alberto de Nóbrega, reuniu ao longo dos anos dezenas de personagens e humoristas.

O cenário simples — um banco de praça — tornou-se um dos mais reconhecíveis da televisão nacional.

Ao lado dela, atrações como Ô… Coitado!, Meu Cunhado e diferentes programas humorísticos reforçaram essa tradição.

Jornalismo também marcou a trajetória

Embora seja fortemente associada ao entretenimento, a emissora construiu diferentes fases de seu jornalismo.

O próprio SBT destaca o pioneirismo do Sinal — Sistema de Notícias da América Latina, uma experiência de hard news durante a madrugada.

Ao longo das décadas, atrações como Aqui Agora, Jornal do SBT, SBT Brasil e Primeiro Impacto representaram diferentes propostas jornalísticas.

O Aqui Agora, principalmente, tornou-se referência de um estilo popular de telejornalismo que influenciaria posteriormente outros programas da televisão brasileira.

SBT também escreveu história nas Copas

O esporte igualmente ocupa espaço nessa trajetória.

O SBT transmitiu as Copas do Mundo de 1986, 1990, 1994 e 1998. Foi pela emissora, portanto, que parte dos brasileiros acompanhou a conquista do tetracampeonato da Seleção em 1994.

Em 2026, o canal retornou ao Mundial após 28 anos e exibiu sua quinta Copa do Mundo, com 32 partidas e todos os jogos da Seleção Brasileira.

A mudança para o CDT

Durante os primeiros anos, a estrutura do SBT esteve distribuída por diferentes locais de São Paulo, incluindo Vila Guilherme, Sumaré e o Teatro Silvio Santos.

Essa realidade mudou com a construção do grande complexo da emissora em Osasco, na Grande São Paulo.

O atual complexo de estúdios concentrou a operação da rede e se tornou um dos símbolos da empresa.

Curiosamente, o SBT destaca que a inauguração ocorreu também em 19 de agosto, no aniversário de 15 anos da emissora.

Uma emissora construída com o público

A televisão mudou profundamente desde aquela transmissão de 19 de agosto de 1981.

Vieram a TV por assinatura, a internet, o streaming, as redes sociais e novas formas de consumir entretenimento. O SBT também atravessou mudanças de programação, tecnologia, elenco e gestão.

Mas uma característica acompanhou boa parte desses 45 anos: a tentativa de manter uma televisão popular e próxima do telespectador.

A participação do auditório, os telefonemas ao vivo, os concursos, os programas infantis, as novelas, o humor e os grandes comunicadores ajudaram a criar uma relação afetiva que ultrapassa números de audiência.

E há um elemento inevitável nessa história: Silvio Santos.

O homem que transformou seu nome em uma das maiores marcas da comunicação brasileira também transformou o SBT em parte da memória de diferentes gerações.

Quarenta e cinco anos depois daquela primeira transmissão, a emissora chega a 2026 carregando personagens, programas, bordões e momentos que ajudam a contar a própria história da televisão brasileira.

Nélio Sousa

Nélio Sousa é jornalista formado pela Faculdade Anhanguera de Brasília. Atua na cobertura de entretenimento e atualidades, com foco em filmes, séries, televisão, celebridades e notícias do Brasil.

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