A saúde cobra o que a campanha prometeu e a gestão Ibaneis-Celina não entregou
Nenhum dos cinco hospitais prometidos por Ibaneis durante a campanha de 2022 ficará pronto até o fim do mandato
A disputa pelo legado da gestão Ibaneis Rocha e Celina Leão começou antes mesmo da campanha eleitoral de 2026. E um dos principais argumentos utilizados pelo governo para defender seus quase oito anos à frente do Distrito Federal pode estar se transformando justamente em uma de suas maiores vulnerabilidades.
Nas redes sociais, Ibaneis costuma destacar obras, investimentos e indicadores para sustentar a narrativa de que deixou um DF mais moderno, organizado e desenvolvido. O discurso é acompanhado da mensagem de que os resultados vistos atualmente seriam fruto de anos de trabalho e planejamento.
O problema é que a realidade da saúde pública segue contando outra história.
Reportagem publicada pelo g1 revelou que nenhum dos cinco hospitais prometidos por Ibaneis durante a campanha de 2022 ficará pronto até o fim do mandato. A informação foi confirmada pela própria Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
O dado tem peso político porque não se trata de um atraso pontual ou de uma obra específica. Trata-se de uma promessa de campanha que simplesmente não será cumprida.
Mais grave ainda: em pelo menos dois dos empreendimentos anunciados, as obras sequer começaram.
Enquanto isso, pacientes seguem enfrentando superlotação, longas filas para consultas, demora em exames e dificuldade de acesso a leitos hospitalares. A consequência é inevitável: cresce a percepção de que a propaganda institucional avança em ritmo muito superior às entregas efetivas para a população.
É justamente nesse espaço que a oposição tenta entrar.
Pré-candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF), Kiko Caputo transformou o tema em um dos principais alvos de suas críticas à atual administração.
“Esse é um governo que funciona só na propaganda. Eles prometeram cinco hospitais, tiveram quatro anos para fazer e não entregaram. Em dois as obras nem começaram”, afirmou.
A crítica encontra respaldo em um fato difícil de ser contestado: a própria Secretaria de Saúde admite que as promessas não serão cumpridas dentro do prazo.
Mais do que uma discussão sobre concreto e construção civil, o debate envolve vidas. Os hospitais anunciados representariam mais de 700 novos leitos para a rede pública, ampliando a capacidade de atendimento justamente em uma área que segue entre as maiores preocupações dos moradores do DF.
Por isso, a questão vai além da saúde e entra diretamente no debate sobre credibilidade política.
Governos costumam ser avaliados não apenas pelo que anunciam, mas principalmente pelo que entregam. E poucas cobranças são tão desgastantes quanto aquelas ligadas a promessas feitas em campanha e não concretizadas ao final do mandato.
Ao defender que o DF precisa ser “resgatado”, Caputo busca transformar os hospitais não entregues em símbolo de uma gestão que, segundo seus críticos, priorizou a comunicação das obras mais do que a conclusão delas.
A estratégia é simples: enquanto o governo pede reconhecimento pelo legado, a oposição pergunta onde estão os hospitais prometidos.
E, quando a cobrança vem acompanhada de uma confirmação da própria Secretaria de Saúde, o debate deixa de ser político e passa a ser factual.
A saúde pública pode se tornar o principal teste para a narrativa construída pela gestão Ibaneis-Celina. Afinal, obras anunciadas rendem manchetes. Hospitais entregues mudam vidas. E hospitais prometidos que não saem do papel acabam alimentando o discurso daqueles que afirmam que o governo funcionou melhor na propaganda do que na execução.



