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Guerra de bastidores: como o xeque-mate de Ibaneis tenta travar o avanço do grupo de Celina Leão no DF

A gravação divulgada por Ibaneis Rocha ao lado da cúpula do MDB, nesta quarta-feira (20), não foi apenas uma reunião partidária. O vídeo carrega um dos sinais políticos mais duros já emitidos pelo grupo desde que Celina Leão assumiu protagonismo no Governo do Distrito Federal (GDF). O recado é claro: o MDB começou a enxergar que perdeu espaço dentro do próprio projeto político que ajudou a construir.

O desconforto aparece justamente quando Ibaneis fala em “muitas decepções”. Na política, principalmente em Brasília, esse tipo de frase raramente surge sem endereço certo. O ex-governador não fala apenas de divergências administrativas. O discurso aponta para algo maior: a percepção de que o grupo político ligado à atual governadora passou a operar com autonomia crescente, reduzindo a influência do MDB nas decisões estratégicas do governo.

O ponto central da crise parece estar exatamente aí. Durante anos, a força do grupo liderado por Ibaneis esteve baseada em um modelo de poder sustentado por equilíbrio político, distribuição de espaços e forte alinhamento entre Executivo, base parlamentar e aliados históricos. Quando o ex-governador afirma que o MDB não abrirá mão de suas “prerrogativas”, ele deixa implícito que o partido sente que esse equilíbrio começou a se romper.

O vídeo também desmonta a narrativa de tranquilidade absoluta dentro da base governista. Até pouco tempo, Celina era vista como herdeira natural do projeto político de Ibaneis. Agora, o discurso já muda de tom. A palavra “continuidade”, usada pelo ex-governador, aparece quase como uma cobrança pública. Ao afirmar que apostou em Celina esperando continuidade, Ibaneis sugere que parte do grupo passou a enxergar desvios no rumo político do governo.

Mais do que insatisfação, o encontro mostra uma reorganização de forças.

A presença de Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, não parece protocolar. Ela funciona como chancela nacional para um possível endurecimento do partido no Distrito Federal. Quando Baleia afirma que “não há hipótese” de o MDB ficar fora da chapa majoritária em 2026, o partido deixa de agir apenas como aliado e passa a se posicionar como força que exige protagonismo real na sucessão local.

O movimento também revela um cenário que começa a preocupar setores da base governista: a antecipação da disputa interna pelo controle político de 2026. Quanto mais a sucessão se aproxima, mais o grupo de Ibaneis demonstra preocupação em não perder centralidade para um núcleo político que hoje já possui máquina, visibilidade institucional e articulação própria sob comando de Celina.

Há ainda um simbolismo importante no local escolhido para o encontro: a residência de Ibaneis. Em Brasília, imagem importa tanto quanto discurso. Reunir Wellington Luiz, Rafael Prudente e Baleia Rossi em torno do ex-governador é uma forma de reafirmar publicamente quem ainda exerce comando político dentro do MDB.

O vídeo escancara uma realidade que vinha sendo tratada apenas nos bastidores: a aliança entre Ibaneis e Celina já não vive mais um ambiente de confiança automática. O grupo que antes operava unido agora fala em “realinhamento”, disputa por espaço e preservação de poder.

O recado político parece evidente. O MDB quer mostrar que não aceitará ser apenas espectador dentro do governo que ajudou a eleger e que, se necessário, está disposto a transformar o desconforto silencioso em enfrentamento político aberto.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Editora do Portal Infonews, atua na cobertura de política, economia, saúde e cidades.

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