Os fantasmas dos escândalos da gestão Ibaneis Rocha no Distrito Federal (DF) rondam a atual governadora Celina Leão na caminhada que antecede a disputa pelo Palácio do Buriti em 2026.
Mesmo que tente construir uma imagem de continuidade administrativa sem herdar o desgaste político, as situações de corrupção, suspeitas e investigações acumuladas ao longo de quase oito anos da gestão Ibaneis voltam ao centro do debate, especialmente diante do caso BRB e Banco Master.
Relembre
O governo Ibaneis cruzou a pandemia sob sérias desconfianças: em 2020, o então secretário de Saúde, Francisco Araújo Filho, foi preso acusado de participar de um esquema de superfaturamento de testes de Covid. O prejuízo causado foi de R$ 73 milhões.
Ibaneis, à época, viu a Operação Falso Negativo como “desnecessária” e esperou mais de 20 dias para exonerar o secretário.
Ainda no âmbito da saúde, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) virou alvo de diversas investigações sobre contratos e irregularidades no fornecimento de alimentação hospitalar.
No sistema penitenciário, a Operação Maré Alta revelou suspeitas quanto ao valor do aluguel de um prédio, que chegou a R$ 225 mil mensais. Aluguéis ainda surgiram na tentativa do GDF de locar sem licitação um imóvel avaliado em R$ 42 milhões. O local pertencia a um aliado político do ex-governador.
Na área econômica, o ex-chefe da pasta, Ney Ferraz Júnior, foi condenado a nove anos e nove meses por corrupção e lavagem de dinheiro em ações referentes ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF).
Dias de hoje
Com o escândalo do Banco Master, o encerramento do ciclo político de Ibaneis se transformou em um novo atrito para o grupo político.
O fato é que Celina tenta se blindar da crise. Ela tem repetido que a preocupação com uma eventual citação “é zero”, justificando que nunca teve afinidade com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Mesmo assim, adversários avaliam que é difícil desvincular Leão de Rocha. Isso em razão dos episódios dos últimos anos serem vistos como perigosos. Em quase todos os casos, o antigo governador só fez exonerações após pressões políticas, decisões judiciais ou avanços das investigações.
Para os opositores, o BRB é o símbolo final da lógica, sendo um banco público utilizado como instrumento político para operações bilionárias de alto risco.
*O Portal Infonews procurou a assessoria da governadora Celina Leão para eventual posicionamento sobre os fatos citados na reportagem, mas até o momento não houve retorno.



