Rodrigo Rollemberg aponta ‘rabo preso’ de quem se opõe à investigação do Banco Master
O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou nesta segunda-feira (2) um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Este banco é alvo da Polícia Federal por possível emissão de títulos de crédito falsos.
Em entrevista à CNN, Rollemberg defendeu a instalação imediata da CPI e criticou parlamentares que resistem à investigação. Segundo ele, o ano eleitoral reforça a urgência da apuração.
“Quem é contra a CPI do Banco Master, de alguma forma, tem rabo preso. A população precisa saber quem são os maus e os bons políticos”, afirmou.
O requerimento reúne 199 assinaturas de deputados de diferentes partidos, incluindo representantes da base do governo e da oposição. A iniciativa foi apresentada no primeiro dia de retorno dos trabalhos do Congresso, antes da sessão solene de abertura do ano legislativo.
A cerimônia marcou a leitura da mensagem presidencial ao Parlamento, com prioridades do governo para 2026. Entre as prioridades estão segurança pública, debate sobre o fim da escala 6×1 e o acordo entre Mercosul e União Europeia.
Apesar do apoio, a instalação da CPI enfrenta obstáculos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, considera que ainda não há clima para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Na Câmara, 15 pedidos de CPI aguardam análise, dificultando a abertura de novas comissões.
Especialistas destacam que, embora o regimento não permita furar a fila, negociações políticas poderiam priorizar a investigação se houver apoio majoritário. O tema divide o Congresso: bolsonaristas veem a CPI como forma de pressionar o PT. Já governistas tentam direcionar a apuração a setores do Centrão ligados à família Bolsonaro.
O caso
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando grave crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN). A medida atingiu o Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Segundo o BC, o conglomerado representava 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do SFN. A liquidação ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em 17 de novembro, um dia antes da decisão do BC.

