Protestos em Brasília serviam para lavagem de dinheiro do PCC, aponta investigação
Uma investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) identificou um elaborado esquema de lavagem de dinheiro vinculado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Nesta quarta-feira (4), uma operação foi deflagrada para dar continuidade às apurações.
Segundo o Gaeco, o setor financeiro do PCC foi responsável por planejar e financiar manifestações na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, entre 2022 e 2023.
De acordo com a investigação, os atos eram apresentados como protestos em defesa de melhorias no sistema penitenciário, mas na verdade foram integralmente custeados com recursos de origem ilícita da organização criminosa, com o objetivo de ocultar valores obtidos de forma ilegal.
O dinheiro do crime organizado era utilizado para custear toda a estrutura dos eventos, incluindo transporte interestadual dos participantes, montagem de tendas, locação de banheiros químicos, alimentação e materiais de divulgação.
“Na prática, os atos serviam para dissimular a movimentação financeira da organização, ampliar sua influência política e recrutar apoio entre familiares de detentos”, explicou o Gaeco.
Sistema de auxílios e manutenção da lealdade interna
A apuração também revelou que os mesmos recursos usados para custear os protestos eram direcionados ao chamado sistema de auxílios da facção: pagamentos regulares a familiares de integrantes presos, com o objetivo de manter a coesão interna e garantir a fidelidade dos membros.
A análise das movimentações bancárias apontou transferências suspeitas e depósitos em espécie de valores elevados, frequentemente realizados na véspera das manifestações investigadas.
Além disso, os promotores encontraram indícios de que empresas de fachada e pessoas jurídicas com endereços fictícios foram utilizadas para facilitar a lavagem de dinheiro.
A operação contou com o apoio do Gaeco do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e com a colaboração do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor/PCDF).

