Parada LGBT: Brasília celebra as cores do orgulho; veja o que rolou
Aconteceu no último domingo (6) a 26º edição da parada do orgulho LGBTQIAPN+ em Brasília, que teve como tema “Jovem, LGBT, Periferia, Orgulho”.
O evento reuniu milhares de pessoas que celebravam a cultura LGBT e reivindicavam a manutenção dos direitos da comunidade. A animação ficou por conta dos 8 trios elétricos que contavam com atrações como Mc Carol, Mc Naninha e Irmãs de Pau.
Além das atrações musicais, o trio da parada LGBT de Taguatinga, cidade próxima a Brasília, trouxe a presença da deputada federal Erika Hilton. Internautas a criticaram por não comparecer à Parada de São Paulo.
Trio Indígena
Este ano, a parada de Brasília contou com o primeiro trio elétrico indígena e ressaltava a luta desta comunidade tão invisibilizada.
O primeiro caso de morte por LGBTfobia no Brasil foi contra um indígena conhecido como Tibira. Amarraram ele a um canhão e o executaram por ser homossexual. O fato ocorreu no Maranhão entre os anos de 1613 e 1614.
Importância do evento
O evento é um momento de lutar pela causa LGBT e se expressar com vestimentas, maquiagem e adereços.
De acordo com o sociólogo Gabriel Rezende, a realização do evento é um espaço de luta para a comunidade. Ele ressalta ainda que a narrativa heteronormativa não contempla este grupo. Além disso, ele menciona que a luta amplia possibilidades.
“A realização da parada LGBT é um espaço de luta contra um processo histórico de marginalização, violência e subvalorização de pessoas não identificadas com a heteronormatividade. A luta LGBT é uma luta por ampliar as possibilidades do viver e amar, pelo reconhecimento da diferença e por ampliar os termos pelos quais falamos de nós mesmos, tendo mais autonomia sobre nossas narrativas”, comentou Gabriel.
O sociólogo também destacou que o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBT no mundo. Ele acredita que isso ocorre devido à estigmatização que a comunidade LGBT enfrenta.
“Devido à grande taxa de violência contra a comunidade LGBT no Brasil, o medo torna-se uma sensação familiar no cotidiano da comunidade. Ao nos diferenciarmos das expectativas ou valores sociais habituais corremos o risco de sermos estigmatizados e repreendidos por causa disso. Precisamos do reconhecimento intersubjetivo do nosso valor, dos nossos direitos e de nossa cidadania para que possamos ter uma vida mais espontânea e de autorrespeito”, afirmou.
A estudante Suzany Ferreira, que estava presente na edição deste ano, afirmou que a festa é um momento de celebração importante. “A manifestação é em forma de festa, música e dança que é exatamente o que a gente expressa pro mundo, ou seja, muito amor e alegria. E mesmo sendo uma festa, o intuito é sempre correr atrás dos direitos necessários pra comunidade”.
“Eu acredito que a periferia deve cada vez mais ocupar espaços. Muitos jovens são negligenciados, e acredito que a visibilidade e a devida importância são necessárias para o crescimento dessas pessoas”, reiterou.




