Recuperação escolar. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil.
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‘Mocinho’: educadora mostra por que a recuperação pode ser uma virada

Com a chegada de dezembro, começa também o período de recuperação escolar, momento que ainda desperta ansiedade, medo e a sensação de fracasso em muitas famílias. Para a educadora e especialista em aprendizagem Anna Dornas, essa percepção precisa mudar urgentemente. “A recuperação não é punição, é uma segunda chance real para reconstruir o conhecimento”, afirma. “O aluno não deve carregar culpa. Ele precisa de ferramentas, não de medo.”

A especialista reforça que a intervenção deve começar o quanto antes. “Não esperem boletim ou comunicado da escola. O momento certo é agora”, diz Anna. Ela explica que revisar conteúdos pendentes e organizar uma rotina diária evita o desespero de última hora e ajuda o aluno a compreender o que ficou para trás. “A família precisa ser aliada. Reforço não é só repetir exercícios. É entender o que o aluno aprendeu, o que não aprendeu e por quê.”

Anna destaca ainda que o apoio profissional deve ser intencional e bem direcionado. “A recuperação só funciona quando sabemos de onde o estudante partiu e quais lacunas precisam ser preenchidas. Não é quantidade de tarefa, é qualidade de intervenção.” Para ela, quando bem conduzido, esse processo pode representar uma virada significativa. “Recuperação é reconstrução, é crescimento. Quando o foco está no entendimento e não na punição, esse momento se transforma em vitória.”

Para Anna Dornas, a recuperação precisa ser vista pelo que realmente é. “A recuperação parece o grande vilão do fim do ano, mas, na verdade, ela é o mocinho dessa história”, afirma. Segundo a especialista, o verdadeiro risco está em avançar para o próximo ano letivo sem corrigir lacunas importantes. “O vilão não é a recuperação. O vilão é seguir adiante sem base, sem compreensão e sem reorganizar o que ficou para trás.”

Ela reforça que esse processo só cumpre seu papel quando é conduzido com intencionalidade. “É fundamental ter um profissional qualificado que identifique quais são as grandes lacunas e como atacá-las”, explica. Para Anna, a recuperação é mais do que revisar conteúdo — é um momento estratégico para desenvolver rotina, organização e uma nova postura diante dos estudos. “Quando existe mudança de mentalidade e comportamento, a recuperação vira uma mola propulsora para um próximo ano vitorioso”, conclui.

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Atuou em TV e em assessoria de imprensa, mas tem carinho especial por redação.

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