Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro. Foto: Assessoria de Comunicação Organizacional do 2º BPM.
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Esquizofrenia paranoide é diagnosticada em autor de facada em Bolsonaro

O mais recente laudo médico sobre Adélio Bispo, autor da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, aponta piora significativa em seu quadro de saúde mental, com aumento de alucinações e maior comprometimento da realidade. O material resultou no diagnóstico de esquizofrenia paranoide.

O documento também indica que, no atual estado psiquiátrico, Adélio apresenta risco contínuo de periculosidade, não pode conviver sem medidas de segurança e não há perspectiva de melhora em ambiente prisional. Por isso, a recomendação médica é a internação em hospital psiquiátrico de custódia, afastando qualquer possibilidade de liberdade.

O laudo, enviado em sigilo à 5ª Vara Criminal de Campo Grande, mostra mudança no diagnóstico em relação a 2019. Naquele ano ele foi considerado inimputável e classificado com transtorno delirante permanente paranoide. Agora, sete anos depois, os peritos registram uma deterioração.

Segundo apurações, Adélio apresenta grave comprometimento da realidade, com alucinações durante a maior parte do tempo e prejuízo funcional significativo. O documento descreve que o detento não reconhece estar doente e não entende a necessidade de tratamento, sendo atualmente considerado sem racionalidade. Em abril de 2025, ele recusava tratamento e afirmava aos agentes que “não é doido”.

A análise clínica longitudinal aponta transtorno mental crônico compatível com esquizofrenia, manifestado por sintomas positivos persistentes, prejuízo afetivo, ausência de insight e recusa terapêutica decorrente da psicose. Segundo os peritos, trata-se de condição que exige cuidado especializado, contínuo e estruturado. Isso está conforme a literatura psiquiátrica.

Laudo

A perícia, feita a pedido da Defensoria Pública da União (DPU), tinha o objetivo de responder a três questões essenciais para avaliar se Adélio teria condições de deixar o sistema prisional, onde está desde 2018. O exame foi realizado no início de novembro do ano passado.

Os peritos concluem que a permanência em presídio federal não é indicada. Eles sugerem encaminhamento para um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Montes Claros (MG), cidade natal de Adélio.

Mesmo assim, ele deve permanecer no sistema prisional até pelo menos 2038, quando completará 60 anos, mesmo sendo considerado inimputável. A previsão decorre de decisão judicial que só permite saída ao atingir essa idade.

Atualmente, Adélio ocupa uma cela de cerca de seis metros quadrados. Desde que entrou no sistema penitenciário, não leu nenhum livro e não consegue manter conversas com outros detentos da penitenciária de segurança máxima. Embora seja classificado como preso de alta periculosidade, não há expectativa de transferência para outra unidade do sistema federal.

Facada

Os peritos afirmam que todas as avaliações do processo, desde o incidente de insanidade mental até as perícias mais recentes, indicam que a facada contra Bolsonaro ocorreu durante um surto psicótico. Houve evidente incapacidade de autocrítica.

Os laudos apontam a presença de delírios autorreferenciais e persecutórios e a perda do juízo de realidade. Essa interpretação é compartilhada por peritos oficiais e assistentes técnicos. Ela é reforçada pelo comportamento atual de Adélio, que continua apresentando padrões delirantes semelhantes aos observados na época do crime.

*Com informações de Metrópoles

Malu Alencastro

Formada em 2021, Malu Alencastro é jornalista pelo CEUB. Atuou em TV e em assessoria de imprensa, mas tem carinho especial por redação.

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